Dissertações/Teses

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2024
Descrição
  • IARLES DOS SANTOS MACEDO
  • O TEATRO POLÍTICO E AS CANÇÕES DE PROTESTO COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA: a contraposição ideológica como luta e resistência camponesa

  • Orientador : ABILIO PACHECO DE SOUZA
  • Data: 20/05/2024
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  • A presente pesquisa teve como objetivo problematizar a música e o teatro como disciplinas complementares e como processo pedagógico na perspectiva na luta e resistência camponesa. A problematização se constituiu a partir das práticas da escola M.E.F. Carlos Marighella, localizada no Assentamento 26 de Março. A partir disso, problematizamos a pesquisa com os seguintes objetivos: compreender de que forma o teatro e a música estão materializados como disciplinas complementares no PPP da escola; Observar e analisar como essas atividades vêm acontecendo na prática; Identificar e analisar quais materialidades e aspectos discursivos, ou melhor, conteúdos que se contraposições às ideologias dominantes, no contexto camponês, nos aspectos culturais, sociais e políticos, partindo do contexto em que a escola está inserida, em uma área de Reforma Agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Ressaltamos ainda que trabalhamos na perspectiva de resistência a partir de Alfredo Bosi (2002), que entrelaçada à concepção de ideologia de acordo com Marilena Chauí (2001) nos possibilitou pensarmos muitas possibilidades em que o espaço escolar/currículo, historicamente, são lugares de disputa. Assim, trouxemos outros arcabouços que nos ajudaram a compreender concepções de currículo, bem como a escola do/no campo como Caldart (2011; 2015), claro, partindo da premissa que o PPP traz grandes possibilidades para que essas linguagens, artístico/literário possam fazer parte da formação dos sujeitos no âmbito escola. A partir da grande pesquisa, levantamento de dados e análise, percebemos que a escola, e eventualmente nas atividades desenvolvidas a partir do teatro e música como atividades complementares, constatamos uma grande valorização de aspectos que compreendemos como contraposição de ideologias dominantes nas práticas da escola que alcançaram não só o chão da escola, mas outros espaços que de certa forma são importantes para a prática dessas linguagens.

  • GERALDO BRANDÃO NETO
  • O TEOR TESTEMUNHAL E A ESCRAVIZAÇÃO CONTINUADA EM TORTO ARADO

  • Orientador : ABILIO PACHECO DE SOUZA
  • Data: 10/05/2024
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  • Este trabalho pretende refletir, a partir da narrativa de Torto Arado (2019) a resistência da população negra, grupo social que tem sua existência marcada por uma violência que se prolonga desde o período da escravidão. Compreendendo que esta, escravidão, continua a existir nas relações de trabalho, sua permanência impõe um contexto de subjugação que trouxe à população negra e àqueles que sofrem com essa realidade, uma cotidianidade de conflitos que resultam em um constante processo de violência. Assim, esta dissertação visa discutir na obra de Itamar Vieira Junior, Torto Arado (2019), um outro conceito sobre escravização, o que se denomina como escravidão continuada, e que terá como fundamentação teórica a fim de se estabelecer um sentido para a proposta os estudos sobre a escravidão contemporânea (Sakamoto, 2020). Nas trilhas dessa constatação, Torto Arado (2019) trouxe para a literatura nacional uma exposição da realidade de lutas que o povo negro teve de enfrentar ao longo da sua presença em solo nacional. Ambientado na Fazenda de Água Negra, a narrativa do romance expõe os conflitos que os personagens, ex-escravizados e descendentes de escravizados, travam no contexto da vivência em um espaço que os impossibilita de conquistar direitos como a posse e propriedade da terra em que vivem e trabalham. A fim de proporcionar um exame acerca da escravidão na literatura, o romance Úrsula (2018 [1859]) será objeto de análise para se compreender a escravidão continuada como um processo em construção e presente em determinadas obras literárias que destacam uma conjuntura de exploração. Além disso, recorre-se aos estudos do Testemunho, tendo como suporte teórico os trabalhos realizados por Seligmann-Silva (2003) e a interpretação que este faz acerca do que denomina teor testemunhal, aspecto que tangencia a linguagem literária do romance de Vieira Junior (2019). Em Torto Arado (2019), a narrativa se desenvolve na possibilidade de um enfrentamento a uma força superior, isto é, um ataque ao sistema opressor que violentou o povo negro na formação social do país. Como de se esperar, a dissertação reflete sobre os processos de luta e resistência à escravidão, pois esta atinge um número considerável de pessoas, mas de forma objetiva, ainda atua na incapacitação da população negra como sujeitos ativos na esfera social.

  • JÉSSICA IBIAPINO FREIRE
  • PRÁTICAS DO ENSINO DE LEITURA: um estudo sobre o Programa Marabá Leitora

  • Orientador : PATRICIA APARECIDA BERALDO ROMANO
  • Data: 30/04/2024
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  • A escola apresenta-se como um lócus excepcional de formação leitora e, para muitos professores e alunos, é o principal espaço de leitura. A aplicação desta pesquisa agrupa o estudo dedicado à produção de conhecimentos sobre o ensino de leitura e suas práticas, enxergando questões sobre letramentos nos contextos sociais e escolares. Busca-se, assim, compreender como as práticas de leitura estão diretamente relacionadas às práticas pedagógicas aplicadas nas Formação de Professores realizada pelo Programa Marabá Leitora (PML), com ênfase na importância da leitura literária como prática social. A partir disso, os principais objetivos consistem em analisar as práticas de leitura dos docentes das salas de leitura que formam o programa, levantamento e discussão para refletir e compreender como os modos de ler e interagir dos sujeitos da pesquisa orientam e/ou influenciam a sua prática mediadora com a Literatura infantil e juvenil. Diante desse cenário, verificam-se nesse estudo as estratégias de leitura e as ferramentas pedagógicas utilizadas nas formações do Programa Marabá Leitora no município marabaense. Além disso, espera-se compreender e analisar em que medida os saberes e as partilhas de vivências provenientes dos encontros formativos para professores regentes de sala de leitura cooperam para que os docentes participantes desenvolvam o papel de mediadores de leitura no ensino básico. Para tanto, apresenta-se um breve panorama da história do livro e o percurso de formação do leitor literário. Essa pesquisa aponta os autores fundamentais dos estudos sobre a história da leitura e da produção da literatura ao longo do século XX. Nesse contexto, verificam-se as orientações dos PCNs (1998) e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), assim como as abordagens teórico-metodológicas: Manguel(1997), Chartier(1994; 2004), Colomer (2003; 2007; 2012), Lajolo (1983; 1996; 1998; 2007; 2015), Meireles (1984), Nóvoa (2003), Pimenta e Lima (2004), Zilberman (1987; 2003; 2005; 2014), Tfouni (2002), Machado (2002 ; 2007, 2016), Baldi (2009), não poderíamos deixar de citar Kefalás (2012), Cosson (2006; 2011; 2014), Petit (2017), Mollier (2008), Reyes (2019), Dantas (2021) entre outros fundamentais para o embasamento desta pesquisa, estendendo-se aos novos escritores e as editoras que renovam o interesse do mercado editorial, bem como os programas governamentais de incentivo à leitura atraindo os leitores do século XXI, diante das produções de literatura infantil e juvenil. Destarte, pretende-se refletir sobre as ferramentas utilizadas e as propostas metodológicas no que condiz com as ações criativas e inovadoras aplicadas ao ensino de literatura, através de práticas do letramento nessa pesquisa. Os resultados apontam que não há respostas absolutas para as questões levantadas, não há receitas ou conselhos para vislumbrar o caminho árduo das práticas da leitura literária. Os documentos que regem a elaboração do projeto PML refletem uma série de preceitos que visam garantir a liberdade e a maturidade do leitor num processo contínuo de aprendizagem que pode ser modificado a cada instante, dependendo da situação e do(s) sujeito(s) envolvido(s).

  • JOAO PAULO COSTA ALVES
  • Pela lente da revista de turismo Travel in Brazil (1941 e 1942): o caleidoscópio da brasilidade

  • Data: 18/03/2024
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  • Na dissertação, objetiva-se investigar, de forma ampla, catorze artigos da revista de turismo Travel in Brazil datada de 1941 e 1942, os quais exploram as raízes da brasilidade, e a intenção dos autores é desvendar a diversidade étnica e cultural, como um caleidoscópio repleto de nuances. Entretanto, é imprescindível ressaltar que essa exploração se dava dentro dos limites rigorosos ditados pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), um órgão governamental imbuído de propósitos específicos, alinhados com a política do período Varguista. O método empregado nessa pesquisa foi de natureza qualitativa e bibliográfica, fundamentando-se na análise crítica e textual de quatorze textos, sendo dez deles pertencentes ao primeiro volume da revista, e os outros quatro ao segundo. A fundamentação teórica que sustenta esta dissertação engloba a análise do poder ditatorial de Getúlio Vargas (Stanley, 2019), a política externa e a iniciativa da Boa Vizinhança (Lukacs, 2006), a estética cultural (Teles, 1978; Candido, 2000), a brasilidade (Jardim, 2016; Lima, 1999) e, por fim, a incursão no universo do turismo literário (Quintero e Baleiro, 2017). O fruto dessa análise revelou uma série de textos que orbitam fora das capitais do Brasil e de suas manifestações culturais autóctones, como a música, as bonecas, os tipos regionais. Estes elementos são também ancorados no discurso promovido pelo DIP, que retratava um Brasil que almejava trilhar o caminho da industrialização, do desenvolvimento e da modernização. Assim, emerge a possibilidade de compreender que a prática do turismo literário pode ser inspirada por narrativas de literatura de viagem tradicional, pelo desejo de seguir trilhas famosas ou pela vontade de percorrer os passos descritos em narrativas fictícias ou não, também com propósito de imergir o viajante naquilo que ele já conheceu por meio das palavras. Neste contexto, mesmo que naquela época ainda não se utilizasse o termo "turismo literário", este estudo se apropria desse conceito para examinar o que a revista Travel in Brazil proporcionava aos seus leitores, tornando, desse modo, a pesquisa mais atual e abrindo espaço para discussões sobre o tema.

  • JOANICE SOARES DE SOUSA
  • ANÁLISE DO GÊNERO SENTENÇA DE PRONÚNCIA EM CRIMES DE FEMINICÍDIO: problematizando a institucionalização do machismo em decisões judiciais

  • Data: 22/02/2024
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  • O presente estudo investiga a presença do machismo em sentenças de pronúncia produzidas por juízes de direito, no interior da tramitação de processos de feminicídio, no Tribunal do Júri. A temática proposta parte de algo frequente nos noticiários brasileiros. Não obstante o avanço da legislação penal, com as contribuições da Lei Maria da Penha (2021), os índices de violência sexual, agressão física, ameaça e feminicídio continuam em evidência socialmente, nesse sentido, tratar desse assunto é quebrar paradigmas patriarcais impostos no meio social diante da figura feminina. Assim, entende-se que feminicídio é uma prática contra a mulher que, pela razão da condição de ser do gênero “feminino”, sofre desconsideração e menosprezo à sua dignidade. Sob essa vertente, pesquisas recentes, como a publicada pelo jornal Folha de São Paulo (2021), mostram o registro de mortes de mulheres que sofreram violência tanto no período da pandemia da Covid-19, quanto em período anterior. Nesse sentido, deseja-se analisar em cada corpus constituído por sentenças de pronúncia produzidas por juízes de direito na comarca de Marabá/PA e região, a constituição dos interlocutores, a estrutura argumentativa e a presença do machismo nas referidas sentenças de pronúncia, fazendo uso de ferramentas teórico-metodológicas da Teoria da Argumentação no Discurso. Serão foco das análises os depoimentos dos acusados, os argumentos da defesa e os argumentos da Promotoria, os quais são articulados e retextualizados pelo juiz de direito na formulação da sentença de pronúncia. Desse modo, embasamo-nos teoricamente em autores como Fiorin (2015), que explana sobre a argumentação, Ruth Amossy (2018), com argumentação no discurso, Gerda Lerner (2019), que aborda a criação do patriarcado, entre outros que retratam a situação do feminicídio e do machismo no contexto social brasileiro.

2023
Descrição
  • SIMONE PEREIRA LIMA SCHERRER
  • UMA PROPOSTA DE MATERIAL DIDÁTICO BILÍNGUE PARA A ESCOLA INDÍGENA TATAKTI KYIKATÊJÊ

  • Data: 01/12/2023
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  • Esta dissertação é resultado de pesquisa do tipo qualitativa realizada na Terra Indígena Mãe Maria, Aldeia Gavião Kỳikatêjê, com o objetivo de sugerir propostas didáticas de material bilingue específico para Escola Indígena Tatakty Kỳikatêjê, por meio das narrativas orais contadas pelos anciões e lideranças da comunidade. Os relatos coletados serão considerados como fonte para uma compreensão histórica acerca da cultura local do povo Gavião, tendo em vista a produção de um material didático destinado à escola, que possa auxiliar as aulas de cultura, ministradas pelos professores bilíngues. Nesse sentido, a fim de alcançar o objetivo proposto, além da pesquisa bibliográfica que permitiu conhecer a trajetória do povo Gavião e formação da aldeia Kỳikatêjê, realizou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa e observação participante com características etnográficas. A constituição dos dados utilizada para a aquisição do material obedeceu a múltiplos procedimentos, tais como observação participante, entrevistas semiestruturadas, rodas de conversas, transcrições e análises das narrativas. Para isso, a pesquisa contou com a participação dos anciões da aldeia Kỳikatêjê e dos professores bilíngues da escola como sujeitos colaboradores no processo de ensino-aprendizagem, envolvendo uma pesquisa de campo junto aos alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio da Escola Indígena Tatakti Kỳikatêjê nas aulas de Língua Portuguesa. A pesquisa tem se mostrado relevante à medida que a escola/comunidade almejam um material didático específico da cultura do povo Gavião que sirva tanto para auxiliar nas aulas ministradas pelos professores bilíngues, como registro e fortalecimento da cultura do povo Gavião. Como referencial teórico, os estudos estão fundamentados nos autores: Ferraz (1984), Fernandes (2010), Laraia (1976), Ribeiro (2014), Miranda (2015), Arnaud (1964), Baniwa (2019), Brasil (1998), Meliá (1979), dentre outros autores.

  • DANIEL FERNANDES DA SILVA
  •  

    O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO EM "O SACI", DE MONTEIRO LOBATO: Um estudo sobre a espacialidade

  • Data: 01/11/2023
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  • O sítio de Dona Benta mostra-se como um campo mágico dentro da narrativa de
    Monteiro Lobato, onde é possível expandir a fantasia. A materialidade desse espaço
    ficcional constitui-se importante para a convergência dos espaços imaginários e
    encantados das aventuras de seus moradores. Em 1920, Lobato publicou seu primeiro
    livro para crianças, A Menina do Narizinho Arrebitado, o primeiro de muitos outros que
    viriam a compor a Saga do Sítio do Picapau Amarelo. Em 1921, Lobato fez a primeira
    publicação de O Saci, recriando a personagem do Saci Pererê, agora para o universo
    infantil, e ligando-a ao Sítio de Dona Benta. Neste livro marca-se a chegada de Pedrinho
    ao sítio da avó, o menino percorre a floresta e os pastos do entorno até chegar à casa de
    Tio Barnabé, o que posteriormente permite que aconteça seu encontro com o saci e as
    aventuras vividas na floresta. Essas aventuras expandem a espacialidade do sítio para
    além dos cronotopos da varanda, do pomar e do ribeirão vistos nas aventuras de
    Narizinho. Em O Saci (1921), onde o espaço do sítio aparece pela primeira vez bastante
    caracterizado, temos por objetivo conduzir investigações a respeito desse espaço que,
    em sua materialidade ficcional, apontamos como a “terra base”, de onde as personagens
    partem para suas aventuras nos espaços da fantasia. Portanto, a pesquisa pode ser
    denominada de exploratória, possuindo características do tipo descritiva, pois se destina
    prioritariamente a delinear as percepções de espaço nas concepções teóricas propostas
    por Bakhtin (2003), através do cronotopo que aponta para leitura das camadas espaços-
    temporais históricas de um texto literário, seguido de Bachelard (1993), com a
    topoanálise que compreende o espaço através de sua leitura psicológica ao apontar para
    sua poeticidade. Por fim, Borges Filho (2008),  através de seus estudos, aponta que o
    conceito de topoanálise é amplo, pois compreende que o espaço é uma dimensão mais
    dinâmica do que aparenta e, com isso, traçamos intermediações com Santos (2006), que
    em sua conceituação de espaço aponta que esse existe somente através de forças
    produtivas humanas que transformam a paisagem.

  • BÁRBARA MONIQUE MONTEIRO ALBUQUERQUE
  • Sutilezas da transposição intermidiática: do poema de Carlos Drummond ao filme O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade

  • Data: 19/09/2023
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  • A transposição intermidiática é o processo através do qual uma obra, aqui compreendida como mídia, é adaptada ou traduzida para um outro tipo midiático. Trata-se de um processo intertextual pelo qual uma obra fonte é usada na construção de outra. Nosso objetivo nesta dissertação de mestrado é analisar aspectos da transposição entre as mídias poema e película cinematográfica a partir das obras “O padre, a moça”, de Carlos Drummond de Andrade, e O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade. Para tanto, em nossa análise levamos em consideração estudos sobre a chamada teoria da adaptação, cujos expoentes teóricos são Linda Hutcheon (2013) e Robert Stam (2006), bem como sobre a teoria da intermidialidade, aqui representada pelos pesquisadores Claus Clüver (2008; 2012) e Irina Rajewsky (2012). Pautada em pesquisa bibliográfica, análise de poema e análise fílmica, esta pesquisa busca sistematizar o que foi acrescentado, mediado e redimensionado na passagem do texto lírico para a linguagem cinematográfica a fim de desvelar as sutilezas transpostas no processo de tradução do poema para a tela. Fazem parte do quadro teórico deste estudo, além dos nomes já mencionados, os seguintes autores: Bentes (1996), Bernardet (2009), Carvalho (2006), Costa (2006), Desbois (2016), Leroy (2018), Manevy (2006), Bosi (1994), Moura (2012), Picchio (2004), Araújo (2013), Teles (2002), Diniz (2018), Jakobson (2003), Martelo (2011) e Moser (2006), dentre outros

  • BÁRBARA MONIQUE MONTEIRO ALBUQUERQUE
  • Sutilezas da transposição intermidiática: do poema de Carlos Drummond ao filme O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade;

  • Data: 14/09/2023
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  • A transposição intermidiática é o processo através do qual uma obra, aqui compreendida como mídia, é adaptada ou traduzida para um outro tipo midiático. Trata-se de um processo intertextual pelo qual uma obra fonte é usada na construção de outra. Nosso objetivo nesta dissertação de mestrado é analisar aspectos da transposição entre as mídias poema e película cinematográfica a partir das obras “O padre, a moça”, de Carlos Drummond de Andrade, e O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade. Para tanto, em nossa análise levamos em consideração estudos sobre a chamada teoria da adaptação, cujos expoentes teóricos são Linda Hutcheon (2013) e Robert Stam (2006), bem como sobre a teoria da intermidialidade, aqui representada pelos pesquisadores Claus Clüver (2008; 2012) e Irina Rajewsky (2012). Pautada em pesquisa bibliográfica, análise de poema e análise fílmica, esta pesquisa busca sistematizar o que foi acrescentado, mediado e redimensionado na passagem do texto lírico para a linguagem cinematográfica a fim de desvelar as sutilezas transpostas no processo de tradução do poema para a tela. Fazem parte do quadro teórico deste estudo, além dos nomes já mencionados, os seguintes autores: Bentes (1996), Bernardet (2009), Carvalho (2006), Costa (2006), Desbois (2016), Leroy (2018), Manevy (2006), Bosi (1994), Moura (2012), Picchio (2004), Araújo (2013), Teles (2002), Diniz (2018), Jakobson (2003), Martelo (2011) e Moser (2006), dentre outros.

  • JACKELINE BARROS ALEXANDRINO
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    "A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE MARABÁ-PA" .

  • Data: 30/08/2023
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  • A presente pesquisa aborda uma investigação acerca da formação continuada de professores de língua inglesa da rede de ensino municipal de Marabá-PA, promovida pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED). A Abordagem se dá pela perspectiva da teoria dos multiletramentos, considerando seu enfoque na Base Nacional Comum Curricular, assim como na Proposta Pedagógica Curricular do Município de Marabá, isso porque as diretrizes presentes nestes documentos é que são a base para as ações formativas. Nesse sentido, o estudo tem como objetivo analisar, em que medida a formação continuada, promovida pela SEMED- Marabá, aos professores de língua inglesa, dialoga com estudos teóricos e metodológicos para os multiletramentos. O aporte teórico está alicerçado na teoria dos multiletramentos mobilizados por Cope; Kalantzis (2009), The New London Group (1996), Rojo (2012) entre outros. Apoiamos nossa pesquisa nas reflexões de Monte Mór (2015), Souza (2011) pois trazem importantes contribuições a respeito da formação de professores na perspectiva dos multiletramentos. A metodologia definese como documental de abordagem qualitativa, situada no campo da linguística

    aplicada, tendo apoio teórico em Silva (2020), Lopes (1994), Minayo (2001). Quanto ao procedimento adotado para análise dos dados, nos baseamos na Análise de Conteúdo, apoiados em Bardin (2011), Oliveira et al (2003) e Ayres (2008) através da ferramenta Atlas ti. Para a produção de dados, utilizamos os documentos que compuseram as atividades formativas como: pautas, trilhas, material de estudo e relatórios. Como resultado, identificamos que cultura, no aspecto da interculturalidade é a temática predominante, assim como a concepção de língua franca. Quanto a prática de linguagem, há maior expressão da leitura. No que se refere a metodologia há orientação para a interdisciplinaridade. A partir disso, concluímos que nesses aspectos a formação proposta para os professores de Ll da rede municipal de ensino dialoga em partes com a teoria dos multiletramentos. Dessa forma, defendemos a ampliação da proposta de formação, que abarque os demais aspectos da língua e da linguagem, considerando os aspectos históricos sociais e regionais no qual professores e alunos estão inseridos

  • CAROLINE LEITE ARAUJO
  • ANÁLISE DO DISCURSO EM NOTÍCIAS DE JORNAIS PARAENSES QUE VERSAM SOBRE O POVO GAVIÃO NA DÉCADA DE 1980

  • Data: 30/08/2023
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  • Este trabalho tem como objetivo investigar a influência do Jornal regional “O Diário do
    Pará” na formação discursiva da população paraense a respeito do povo Gavião. Nesse sentido,
    o presente trabalho buscou analisar as estratégias argumentativas nos discursos jornalísticos
    para influenciar a opinião pública na década de 1980, e como tais discursos contribuíram na
    inferiorização e na criação de certos estereótipos sobre o povo Gavião do Pará. Como
    procedimentos metodológicos, utilizamos a pesquisa documental e o método qualitativo para
    seleção de textos jornalísticos. A partir do corpus selecionado foram feitas as análises com base
    nos pressupostos teórico da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, ancorados nos estudos
    dos autores Michel Pêcheux (1988), Eni Orlandi (2005), Michel Foucault (1975-1985),
    Marilene Chaíu (2008) e Louis Althusser (1992). A pesquisa é de suma importância para a
    compreensão de que os discursos foram meramente produzidos para rotularem e deturparem a
    imagem dos indígenas da região paraense. Foram analisadas cinco notícias a respeito do conflito
    territorial em torno da Terra Indígena Mãe Maria, e as análises mostraram que os modos de
    apropriação do discurso utilizado pelo sujeito-enunciador nos noticiários serviram de efeito de
    sentidos na construção da figura do sujeito indígena deixando marcas ideológicas nos
    enunciados, além disso, o jornal não concedeu o direito à fala aos indígenas. Os resultados das
    análises demonstram que os discursos jornalísticos fortaleceram e propagaram os estigmas que
    deixaram marcas indeléveis até os dias de hoje.

  • JACKELINE BARROS ALEXANDRINO
  • A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA NA REDE MUNICIPAL DE  ENSINO DE MARABÁ-PA: UMA ANÁLISE PELA TEORIA DOS MULTILETRAMENTOS.

  • Data: 29/08/2023
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  • A presente pesquisa aborda uma investigação acerca da formação continuada de professores de língua inglesa da rede de ensino municipal de Marabá-PA, promovida pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED). A Abordagem se dá pela perspectiva da teoria dos multiletramentos, considerando seu enfoque na Base Nacional Comum Curricular, assim como na Proposta Pedagógica Curricular do Município de Marabá, isso porque as diretrizes presentes nestes documentos é que são a base para as ações formativas. Nesse sentido, o estudo tem como objetivo analisar, em que medida a formação continuada, promovida pela SEMED- Marabá, aos professores de língua inglesa, dialoga com estudos teóricos e metodológicos para os multiletramentos. O aporte teórico está alicerçado na teoria dos multiletramentos mobilizados por Cope; Kalantzis (2009), The New London Group (1996), Rojo (2012) entre outros. Apoiamos nossa pesquisa nas reflexões de Monte Mór (2015), Souza (2011) pois trazem importantes contribuições a respeito da formação de professores na perspectiva dos multiletramentos. A metodologia definese como documental de abordagem qualitativa, situada no campo da linguística

    aplicada, tendo apoio teórico em Silva (2020), Lopes (1994), Minayo (2001). Quanto ao procedimento adotado para análise dos dados, nos baseamos na Análise de Conteúdo, apoiados em Bardin (2011), Oliveira et al (2003) e Ayres (2008) através da ferramenta Atlas ti. Para a produção de dados, utilizamos os documentos que compuseram as atividades formativas como: pautas, trilhas, material de estudo e relatórios. Como resultado, identificamos que cultura, no aspecto da interculturalidade é a temática predominante, assim como a concepção de língua franca. Quanto a prática de linguagem, há maior expressão da leitura. No que se refere a metodologia há orientação para a interdisciplinaridade. A partir disso, concluímos que nesses aspectos a formação proposta para os professores de Ll da rede municipal de ensino dialoga em partes com a teoria dos multiletramentos. Dessa forma, defendemos a ampliação da proposta de formação, que abarque os demais aspectos da língua e da linguagem, considerando os aspectos históricos sociais e regionais no qual professores e alunos estão inseridos

  • VALERIA CORDEIRO OLIVEIRA DE CARVALHO
  • CONSIDERAÇÕES ACERCA DA PERSONAGEM LOBATIANA EMÍLIA: De coadjuvante a protagonista em
    Memórias da Emília

  • Orientador : PATRICIA APARECIDA BERALDO ROMANO
  • Data: 28/08/2023
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  • Monteiro Lobato contribuiu como um importante precursor para a popularização do gênero infantil e
    juvenil ao criar os personagens da saga do "Sítio do Pica-Pau-Amarelo”, entre eles a icônica Emília que,
    com seu carisma e “asneirices”, conquistaria boa parte do público infantil, tornando-se uma referência
    na obra lobatiana. A essa personagem, que obteve significativo destaque em sua produção infantil,
    Lobato dedica um livro intitulado Memórias da Emília (1936), que nos ajuda a conhecer melhor as
    opiniões e pensamentos da famosa bonequinha. Esta pesquisa se propõe a fazer considerações acerca
    de como a personagem lobatiana é apresentada nessa obra e sua evolução no sentido de
    compreendermos quem é a boneca em Memórias da Emília (1936). Pretende-se buscar as respostas às
    seguintes perguntas: Quais pontos específicos em suas reflexões e atitudes ressaltam seu
    desenvolvimento e evolução em outras obras infantis até seu auge em Memórias? Como Emília
    demonstra ser uma personagem complexa através dessa obra? Pretende-se também pontuar como
    Emília continua a fazer parte da vida de muitos leitores mesmo passados 103 anos após a apresentação
    da personagem, através de novas obras, estudos e artigos infantis. Para isso, o respaldo teórico se
    baseia em autores como Lajolo e Zilberman (2007), Lajolo e Schwarcz (2019), Lajolo (2000, 2001)),
    Khéde (1990), Acioli (2014), Mendes (2009), Sandroni (1997), Pimentel (2020), Silveira (2017), entre
    outros estudiosos que contribuíram significativamente para estudos e pesquisas lobatianas. A partir da
    análise é possível identificar um significativo desenvolvimento de Emília no texto literário,
    caracterizando a personagem como complexa, ratificando sua evolução, modernidade e
    atemporalidade.

     

  • ISRAEL SILVA SOARES
  •  

    O negro e o indígena nas literaturas das Amazônias : uma leitura dos romances Chove nos Campos de Cachoeira, de Dalcídio Jurandir, e Cinzas do Norte, de Milton Hatoum

  • Data: 27/06/2023
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  • É sob a temática desta pesquisa- O negro e o indígena na literatura de expressão amazônica
    brasileira: uma leitura dos romances Chove nos Campos de Cachoeira, de Dalcídio Jurandir e
    Cinzas do Norte de Milton Hatoum- que se dispõe, a partir de reflexões críticas, materializar e

    compreender um dístico que se deu, ao longo do tempo, sem aparato científico: o patriarcado-
    racial. Uma invenção que, como ferramenta importante àqueles que estavam na posição de

    poder, subjugou e aniquilou, sob performance desta fantasia, corpos em desvio ao “homem
    perfeito”. Este que se constrói em tempos remotos e rutila-se, em cada ciclo da vida humana,
    sobre a mulher, sobretudo a de cor. No primeiro, pela ausência do pênis e assimetria corporal,
    implicando um ser menor, mutilado, sem humanidade, um “animal”; o último, um corpo
    degenerado com funções sociais e políticas a partir do pensamento de raça. Um sistema
    biopolítico que, com sua versatilidade no tempo, submerge em todos os ramos da natureza
    humana, em especial naquilo que o ser humano usa como meio de expressar suas emoções,
    sua história e sua cultura: em poéticas; principalmente aquelas do terceiro mundo as quais
    trazem heranças genéticas eurocêntricas, como as da Amazônia. Para tanto, autores como
    Spivak (2010), bell hooks (2022), Fanon (1983), Mbembe (2014), Hall (2005), Bhabha (1998) e
    outros nos possibilitam itinerários pelo feminismo, amor à negritude e aos Estudos culturais
    como proponentes capazes de levar à ruína o pensamento sexista-racial e encostar fendas
    que, balizadas pelo juízo do homem branco, foram delimitadas a partir de conceitos de
    identidades puras e completas.

  • MIRIAN LEILA FARIAS DA COSTA
  • UM ESTUDO SOBRE LITERATURA E ENSINO: A Contadora de História Tia Nastácia, de Monteiro Lobato, na sala de aula de EJA

  • Data: 21/06/2023
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  • O presente estudo busca pensar o ensino de literatura na sala de aula de Educação de
    jovens e adultos (EJA), seus sujeitos e suas especificidades. Sendo assim, a pesquisa irá
    apresentar um olhar sobre a literatura, o ensino, a leitura e o letramento literário na
    modalidade educacional EJA, a partir de oficinas de contação de histórias. A proposta é
    dialogar, refletir e pensar a aula de literatura e a leitura como uma possibilidade de
    abertura para criação de “um jeito novo de caminhar” na estrada da educação com o
    objetivo de que o letramento literário aconteça nas escolas e cumpra seu papel para a
    formação do indivíduo. Tomando-se como base para a elaboração das oficinas, o livro
    Histórias de Tia Nastácia, de Monteiro Lobato, composto por narrativas dentro das
    narrativas que traz como pano de fundo o folclore, os contos orais e o contador de histórias
    o intuito é possibilitar ao público EJA o acesso a textos literários que lhes possibilitem
    conhecer outras histórias, alternativas, saberes e fazeres. Como referências temos: Freire
    (2000); Lobato (2004); Machado (2004); Gadotti (2014) e outros pesquisadores da área.

  • MARIA ALICE DE JESUS PEREIRA DOS SANTOS
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    MARCADORES SOCIAIS DA DIFERENÇA: especificidades da mulher negra em Úrsula (1859) e A escrava (1887), de Maria Firmina dos Reis" 

  • Data: 09/06/2023
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  • O presente estudo tem como objetivo investigar os marcadores sociais da diferença na narrativa da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis (1822-1917) e compreender de que forma a autora articula sua fala ao denunciar o patriarcalismo, o colonialismo e a escravidão nas obras Úrsula (1859) e “A escrava” (1887), bem como as especificidades da mulher negra. Para tanto, o corpus central escolhido para análise foi Úrsula, obra do período romântico e com forte teor nacionalista, estruturada em um prólogo, vinte capítulos numerados e nomeados e um epílogo final, que conta a trágica história de amor entre a musa romântica Úrsula e o bacharel Tancredo. A obra pode ser dividida em duas partes, sendo que a primeira apresenta as chamadas personagens principais na narrativa, pessoas brancas, revelando uma camada da sociedade oitocentista da época; e a segunda, com personagens periféricas da obra: escravos, sujeitos subalternizados. É desse lugar de periferia que Firmina apresenta Túlio, Pai Antero e Susana, a quem atribui uma voz que ecoa mundo a fora denunciando os maus tratos sofridos e o tráfico de pessoas que eram arrancadas de suas terras na África e trazidas para o Brasil. Já em “A escrava” (1887), busca-se analisar as características das personagens, violência/opressão contra
    a mulher e, a situação da vida de Joana, uma personagem forte, negra escravizada, mãe de três filhos: os gêmeos Carlos e Urbano, vendidos quando crianças, e Gabriel, o mais velho. Firmina, por meio da loucura da personagem encontra uma forma para denunciar as marcas do tráfico de pessoas, valores sociais e morais de caráter quantitativo contidos no enredo do conto, no qual a autora utiliza a prosa de ficção como um meio de denunciar as injustiças presentes na sociedade patriarcal brasileira do século XIX. Considerando leituras outras acerca de Úrsula e de “A escrava”, utilizamos como suporte teórico autores como: Adler (2017); Bardin (2011); Bonnici (2007); Candido (2019); Duarte (2018); Duarte (2017); Evaristo (2009); Fanon (2008); Heywood (2008); Moisés (2003); Muzart (2000); Ribeiro (2018); Reis (2017); Lobo (2014); Orlandi (2002); Zamboni (2014), entre outros.

  • SILVIA ADRIANY ALMEIDA BARRETO
  • ATITUDES LINGUISTICAS DE MARABAENSES E BELENENSES RESIDENTES EM MARABÁ/PA SOBRE A REALIZAÇÃO VARIÁVEL DA LATERAL PALATAL;

  • Data: 31/05/2023
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  • A presente dissertação desenvolveu o tema da avaliação linguística, mais especificamente das
    atitudes linguísticas de marabaenses e belenenses, acerca da variável fonético-fonológica lateral
    palatal /ʎ/, segundo os pressupostos teóricos da Sociolinguística Variacionista de William
    Labov (1972) e da Psicologia Social de Lambert e Lambert (1964). O interesse na investigação
    dessa variável sob a perspectiva atitudinal, entre esses dois grupos de falantes, decorre
    principalmente dos resultados apontados nas pesquisas variacionistas de Soares (2002; 2008),
    cujas análises atestaram o peso dos fatores extralinguísticos, além de distinções quantitativas,
    sobre a variação fonética da lateral palatal entre os falantes das cidades de Marabá e Belém,
    situadas no Estado do Pará. O objetivo geral foi analisar as atitudes linguísticas de marabaenses
    e belenenses, residentes em Marabá/Pa, sobre a realização variável da lateral palatal /ʎ/. Para
    alcançar tal objetivo, abordou-se, no aporte teórico, a questão da avaliação e grau de apreciação
    atribuído a uma variável (ou variedade) linguística, através de teóricos como Labov (1972),
    Calvet (2002), Coelho (2012; 2015) e Freitag (2021). Discorreu-se também acerca da variação
    da lateral palatal no Português Brasileiro, mais precisamente, nos estudos realizados no Estado
    do Pará, tendo por base autores como Soares (2002; 2008), Fernandes (2009), Machado (2011)
    e Nunes (2006). A tematização das atitudes linguísticas direcionadas aos sujeitos sociais teve
    amparo em Lambert e Lambert (1964), López Morales (1993), Moreno Fernández (1998) e
    Bisinoto (2007), por meio dos quais, discorreu-se sobre a definição de atitudes, salientando as

    proximidades e distinções entre as concepções teóricas apresentadas. Além daqueles, contou-
    se com trabalhos de pesquisadores contemporâneos, dentre eles: Freitag (2016), Leite (2011),

    Santos (2022) e Ferreira (2019), os quais abordaram as atitudes pelo viés da Sociolinguística
    Variacionista, da Sociolinguística Educacional, da Dialetologia, dentre outros. No aspecto
    metodológico, entrevistou-se 16 informantes-juízes, selecionados conforme as variáveis
    extralinguísticas: gênero, faixa etária, escolaridade e origem (Marabá/Belém). Posteriormente,
    aplicou-se duas ferramentas de coleta de dados, a saber: um teste de atitudes de abordagem
    indireta e um questionário de atitudes de abordagem direta. Os dados quantitativos do teste de
    atitudes foram calculados com base na proporção do total de questões e, em seguida,
    representados por gráficos. Os dados obtidos no questionário foram analisados qualitativamente
    conforme o referencial teórico desta dissertação. Os resultados gerais da pesquisa constataram
    que as variantes palatal e palatalizada estão associadas a contextos hierárquicos mais elevados
    e a falantes com maior grau de escolaridade e são alvo de atitudes positivas; opondo-se às

    variantes despalatalizadas que são geralmente avaliadas de forma negativa pelos informantes-
    juízes, independentemente da origem, e associadas a indivíduos do espaço rural e sem

    escolaridade, classificando-as como estereótipo, com ressalva da lateral seguida de semivogal
    (indicador), nos termos de Labov (1972).

  • JESSIANE CARNEIRO LUSTOSA SILVA
  • A alternância da lateral palatal com a semivogal no falar de Marabá/PA.

  • Data: 24/05/2023
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  • O presente trabalho busca identificar a alternância entre a lateral palatal [ʎ] com a vogal semivocalizada [j] no falar urbano marabaense, relacionando o fenômeno de variação aos fatores sociolinguísticos com o objetivo de observar se essa alternância está diretamente ligada a fatores sociais e linguísticos. Os pressupostos teóricos-metodológicos são da Sociolinguística Variacionista (Labov, 1972), além de contar com alguns autores utilizados no aporte teórico, como: Weedwood (2002), Camara Júnior (2021), Chomsky (1998; 2009; 2018), Labov (2008), Seara (2011; 2021), Tarallo (1994), Monteiro (2000), Calvet (2002), Mollica (2020) Soares (2002; 2008), Battisti (2021) etc. O corpus desta pesquisa foi coletado a partir da fala de 12 informantes em dois momentos distintos, o primeiro foi feito por meio de uma entrevista com fala espontânea, e no segundo momento, um questionário com perguntas direcionadas. Para a estratificação da amostra, foram levados em consideração os fatores sociais gênero, idade e escolaridade; e os fatores linguísticos: classe gramatical, tonicidade e contexto fonético antecedente e subsequente. Cada informante teve sua fala gravada e os contextos em que /ʎ/ ocorrerem foram transcritos foneticamente. Os informantes são moradores nativos do município de Marabá ou que nele residem desde a infância. O tratamento estatístico destes dados foi realizado por meio da ferramenta computacional GoldVarb X.

  • PRISCILA GARCIA BALIEIRO
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    ALTERIDADE FEMININA E RELAÇÕES DE GÊNERO NO ROMANCE "CHOVE NOS CAMPOS DE CACHOEIRA" DE DALCÍDIO JURANDIR

  • Data: 22/05/2023
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  • A presente dissertação objetiva reflexões sobre questões de gênero, raça e classe, no
    romance Chove nos Campos de Cachoeira (1991), do escritor paraense Dalcídio Jurandir
    (1909 - 1979). Por ser um romance produzido na Amazônia, faz-se necessário
    contextualizar a escrita dalcidiana, no contexto das Amazônias, uma vez que estereótipos
    foram criados visando a um projeto político pensado para a região. A escrita de Dalcídio
    vem na contramão dessa literatura carregada de estigmas, pois traz para a ficção a
    realidade dos povos nativos e diaspóricos, sem sobreposições da natureza sobre o homem.
    O romance, ora mencionado, nos oferece um vasto campo de análise para as discuSsões
    da alteridade feminina e questões de gênero, raça e classe, sendo que foram selecionadas
    quinze personagens mulheres para o corpus desta análise, todas com singularidades e
    vivências que denunciam opressões de um sistema patriarcal e eurocêntrico que as
    marginalizam e as fazem, muitas vezes, como inimigas. Para tanto, nos referenciamos nos
    pressupostos teóricos das a professoras e pesquisadoras paraenses, Maria Luzia Alvares
    (2009) e Benedita Celeste Pinto (2012); bell hooks (2020); Guaciara Louro (1997);
    Simone de Beauvoir (1970); Maria Lugones (2008); Gayatri Spivak (2014); Oyèrónké
    Oyěwùmí (2021); Gerda Lerner (2019); Ana Pizarro (2012); Aníbal Quijano (2009) e
    outros.

  • WELLINTON RAFAEL DE ARAUJO GUIDA
  • EROTISMO NA PROSA DE FICÇÃO CONTEMPORÂNEA: Uma leitura de Acenos e Afagos, de João Gilberto Noll

  • Data: 04/05/2023
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  • Com o intuito de problematizar as relações entre erotismo e literatura, objetiva-se, nesta pesquisa, compreender como a temática erótica é engendrada na ficção contemporânea brasileira a partir de uma leitura crítica do livro Acenos e afagos (2008), de João Gilberto Noll. Nessa obra, o desejo erótico que dá espaço para o gozo e a experiência do prazer se circunscreve tanto no/pelo corpo das personagens quanto na própria tessitura textual. Averígua-se que o artificio erótico presente na narrativa em questão se manifesta quase sempre vinculado à imaginação, à violência e à escatologia. E mais, na trama é possível se verificar a tematização de práticas eróticas que escancaram outras configurações do desejo, outros modos de amar, outros meios de erotização dos corpos, que não são legitimados perante o modelo instituído pela heteronormatividade. Nesse sentido, trata-se de uma obra transgressora. Transgressora porque explicita o deleite carnal, o gozo, o sexo, o profano e o erótico por meio de uma escrita incisiva e destituída de pudores. Sendo assim, este trabalho se desenvolve por meio de uma pesquisa de cunho bibliográfico, crítico-teórico e qualitativo, materializado em um estudo analítico do nosso corpus de análise. Para atingir os objetivos propostos, utiliza-se, entre outros, as anotações críticas de Giorgio Agamben (2009), Karl Erik Schøllhammer (2009), Lionel Ruffel (2010;2014) e Ieda Magri (2020), acerca dos conceitos de contemporâneo e contemporaneidade; Alexandrian (1993), Octavio Paz (1994), Lucia Castello Branco (2004) e Georges Bataille (2020), sobre as principais características do erotismo, bem como as distinções entre o erótico e o pornográfico.

  • JAYANNE OLIVEIRA DOS SANTOS
  • A MEMÓRIA DA ORALIDADE NO LIVRO DIDÁTICO

  • Data: 28/04/2023
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  • O presente trabalho tem o objetivo de analisar como a escola mobiliza, por meio do livro
    didático, uma memória discursiva da oralidade (DO) na relação com o discurso da escrita
    (DE). Para tanto, o caminho teórico da pesquisa parte dos estudos historiográficos da escrita,
    em que os autores procuram investigar e discutir sobre as razões históricas, políticas e
    ideológicas que conduziram a escrita a um lugar de prestígio em detrimento da oralidade.
    Mobilizamos, ainda, fundamentos teóricos da Análise de Discurso de vertente francesa, com o
    propósito de problematizar como a memória discursiva da oralidade e da escrita se
    entrecruzam na escola básica, quando esta se propõe a tomar a primeira modalidade
    oralidade como objeto de ensino. Elegemos como material de análise o Manual do Professor,
    que acompanha o livro didático “Singular & Plural: Leitura, produção e estudos de linguagem,
    6o ano do ensino fundamental, autoria de Marisa Balthasar e Shirley Goulart (2018).
    Entendemos que essa prática discursiva não é aleatória ou casual, ela se mantém presente
    nas práticas pedagógicas da escola básica em decorrência de um pano de fundo histórico de
    alguns discursos que tomam como base a noção de que o campo da oralidade não deve ser
    trabalhado na escola com a mesma intensidade e relevância para a formação do educando,
    como se trabalha com a escrita. Esse discurso, por sua vez, tem relação com uma posição
    discursiva e política que coloca para as margens as práticas sociais produzidas pela oralidade,
    assim como os sujeitos desta prática. É a partir dessa compreensão que focalizamos a
    memória discursiva da oralidade agenciada por atividades apresentadas pelo livro didático
    acima referido, sob a hipótese de que prevalece nas atividades escolares muito mais um
    trabalho de oralização da escrita do que uma perspectiva de ensino que toma a oralidade em
    seu lugar próprio e com as suas especificidades. Defendemos que há na oralidade um espaço
    de constituição de sujeito e esse espaço não deve simplesmente ser “valorizado”, mas,
    efetivamente tomado como objeto de problematização. Nesse sentido, a oralidade não deve
    ser problematizada como o lugar do erro, da falta ou do déficit, mas um lugar que tem uma
    história de constituição e um espaço de materialização.

  • JEANETE DOS SANTOS E SANTOS
  • Processos de Identificação Cultural na Amazônia brasileira: uma leitura crítica de Inferno Verde, de Alberto Rangel e A Cidade Ilhada, de Milton Hatoum

  • Data: 26/04/2023
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  • Nosso trabalho surge da necessidade de se discutir questões que envolvem a problemática da identidade cultural na/da Amazônia brasileira. Ele se constitui como uma pesquisa bibliográfica, se intitula Processos de Identificação Cultural na Amazônia brasileira: uma leitura crítica de Inferno Verde, de Alberto Rangel e A Cidade Ilhada de Milton Hatoum e tem como objetivo propor uma leitura dos discursos sobre essa região que historicamente a inferiorizaram sem a compreender em suas especificidades culturais. Com o intuito de se fazer perceber as concepções de cultura nessa região, a pesquisa se organiza a partir dos pressupostos teóricos dos Estudos Culturais (EC) e da Literatura Comparada (LC) na perspectiva da diferença e do hibridismo cultural que nos dão possibilidade de entender a identidade cultural da/na Amazônia brasileira. Sob essa perspectiva propomos nossas reflexões a partir da leitura de três contos da obra literária Inferno Verde, de Alberto Rangel: O Tapará, A teima da vida e Inferno Verde; e três contos da obra A Cidade Ilhada, de Milton Hatoum: A natureza ri da cultura, Um oriental na vastidão e Dançarinos na última noite, para que, a partir deles, possamos problematizar discursos constituidores da identidade cultural nessa região. Além dos textos literários que compõem o corpus dessa pesquisa, subsidiam o nosso trabalho autores como Márcio Souza, Bertha Becker, Neide Gondim, Amarílis Tupiassú e Ana Pizarro, que escrevem sobre o processo histórico amazônico; Roque de Barros Laraia, Maria Elisa Cevasco, Stuart Hall, Tomaz Tadeu da Silva Paul Zumthor, Antonio Cornejo Polar, Zilar Bernd, Walter. D. Mignolo, Reinaldo Martiniano Marques, Silviano Santiago, Homi K. Bhabha, entre outros, que discutem sobre cultura e identidade, diferença e hibridismo cultural, para que possamos refletir acerca dos discursos que produzem a identidade cultural nesse espaço; e corpus, Alberto Rangel e Milton Hatoum, que escrevem literariamente sobre a Amazônia e apresentam discursos que se aproximam e se distanciam até certo ponto, sobre os processos de identificação cultural na/da Amazônia brasileira. Nossa intenção é a de se fazer perceber um sistema de relações que coexistem e interagem entre si, compreendendo a Amazônia brasileira como espaço e sociedade de cultura plural e híbrida.

  • EUCLIDIANE SANTANA DA SILVA
  • REPRESENTAÇÃO E RESISTÊNCIA CULTURAL NA OBRA QUARTO DE DESPEJO-DIÁRIO DE UMA FAVELADA, DE CAROLINA MARIA DE JESUS

  • Data: 24/04/2023
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  • A presente pesquisa objetiva analisar a representação e a resistência cultural na obra de Carolina Maria de Jesus, a partir da análise do diário “Quarto de despejo-diário de uma favelada” (1960). Em nossa discussão analisaremos a obra perpassando todas as suas problemáticas, considerando sua recepção crítica desde o lançamento até a contemporaneidade. Nessa perspectiva nosso trabalho apresenta um levantamento histórico sobre a crítica de Carolina, desde o contexto de sua publicação. Posteriormente aborda-se a força representativa dos escritos carolinianos através da dicotomia escrita e representação, lançando mão de conceitos como subalternidade e se ancorando em métodos comparativos, com as escritoras Gloria Anzaldúa e Françoise Ega em diálogo com a obra de Carolina, a fim demonstrar o caráter intimista que liga as obras. Destaca-se ainda, as avenidas identitárias que atravessam a vivência da autora com o conceito de interseccionalidade, onde sistematizamos as opressões sofridas pelas personagens. Em seguida, é dado ênfase à resistência e a sua insubmissão, aqui nos propomos mostrar através de exemplos palpáveis a determinação e a força que Carolina tinha para escrever. Por último, é discutido o conceito de escrevivência dentro de sua obra, momento em que procuramos atestar a presença de um sujeito coletivo. Para tanto foi realizado um levantamento bibliográfico sobre os conteúdos tratados, além de pesquisas em jornais antigos e da atualidade. O resultado esperado é a contribuição com os estudos da área, uma vez que neste trabalho comprovamos a relevância e a fecundidade da obra caroliniana. Para subsidiar as discussões levantadas o trabalho traz como principal corpus de pesquisa Achugar (2006); Akotirene (2019); Candido (2011); Carvalhal (2006); Crenshaw (2002); Bosi (2002); Dalcastagné (2014); Evaristo (2020); Farias (2011); Gramscsi (2006); Lejeune (2014); Meihy (1994); Spivak (2014) dentre outros.

  • SIMÔNE GOMES DOS SANTOS
  • A SAGA ILUMINISTA DA MARQUESA DE ALORNA. UMA LEITURA D’AS LUZES DE LEONOR, DE MARIA TERESA HORTA

  • Data: 12/04/2023
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  • Maria Teresa Horta, jornalista, escritora e poetisa, cujas produções se iniciaram nas primeiras décadas do século XX, é umas das primeiras escritoras a iniciar a luta pela emancipação da escrita das mulheres em Portugal. Obteve destaque após ser uma das autoras do livro Novas Cartas Portuguesa (1974). Na sua trajetória de vida e de carreira literária, Maria Teresa Horta tem no histórico o fato de ser perseguida e espancada pelos conservadores durante a Ditadura Militar em Portugal. A postura em suas obras consiste no revide ao patriarcalismo, na luta pela valorização das obras das escritoras na elite intelectual e na inserção no cânone literário. Dentre suas obras, destaca-se As luzes de Leonor (2017), um romance histórico escrito durante 13 anos. O presente estudo é um levantamento bibliográfico sobre a saga iluminista de Leonor de Almeida, personagem protagonista do romance em análise. Apresentaremos a trajetória e os desafios de Leonor, a qual enfrentou para se destacar na elite cultural de vários países, vivendo numa época da transição entre a Idade Moderna e Idade Contemporânea. Em destaque, o embate entre o Renascimento e o Advento da Filosofia Iluminista, onde a razão prevalecia, sobre os preceitos religiosos (Igreja católica). Nesse contexto, surgem, portanto, os conflitos internos e externos da protagonista de As Luzes de Leonor (2017) em busca pelo conhecimento, associada às paixões, aos sentimentos e, sobretudo, às interpelações que fazem parte constante dos questionamentos que elaborava. Para isso, Leonor de Almeida se inspirou nos principais filósofos e influenciadores iluministas, como Rousseau, Diderot e Voltaire. Considerando as ideias destes e de outros filósofos, bem como o contexto conflituoso e revolucionário, nota-se que essa obra se destaca pela intensa luta de Leonor que, através de sua postura, inspirou mulheres a lutar por igualdade. Assim, uma das constatações a que chega neste trabalho é a valoração da mulher através da busca pelas “luzes”, pelo conhecimento que é libertador, pelo enfrentamento dos padrões machistas e seculares que querem, quase sempre, limitar as mulheres.

  • THAIANY TOLENTINO DINIZ SANTOS
  • SENTIDOS DE LÍNGUA NACIONAL PRODUZIDOS NOS DOMÍNIOS DA IMPRENSA: Revista Veja e Site G1

  • Data: 06/04/2023
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  • O presente trabalho, situados nos estudos foucaultianos, tem como objetivo “analisar o funcionamento discursivo de uma rede de formulações produzida sobre a Língua Portuguesa e seus falantes, em reportagens circuladas na revista Veja e no site G1, remetendo a sentidos que se acumulam e que se deslocam desde a colonização do Brasil”. O foco da pesquisa está nos sentidos produzidos no interior dos discursos sobre língua/idioma nacional agenciados pela revista Veja e pelo site G1, procurando compreender como a heterogeneidade linguística constitutiva de todas as línguas é tematizada, deslocada ou silenciada, à medida que entram no horizonte de circulação dessas reportagens sentidos de norma-culta da Língua Portuguesa, a que se convencionou chamar Língua Nacional. Para tanto, partimos da seguinte pergunta: Por quais trajetos temáticos perpassam sentidos de língua nas discursividades sobre o idioma nacional e que efeitos de sentidos se produzem sobre o falante? A construção deste estudo foi estruturada com base nos seguintes objetivos específicos 1) Revisitar a história que atravessa a constituição da Língua Portuguesa como língua oficial do país; 2) Caracterizar os dispositivos de manutenção do imaginário de um país monolíngue; 3) Recortar do corpus analítico enunciados a partir de trajetos temáticos nos quais se inscrevem sentidos de Língua Portuguesa ou língua nacional. 4) Analisar os enunciados vinculados a cada trajeto temático, procurando apreender suas regularidades discursivas. As investigações que orientam este estudo estão ancoradas no método arquegenealógico, foucaultiano, mobilizando conceitos como Formação Discursiva, arquivo, enunciado e dispositivo, fundamentais para o desenvolvimento das análises do corpus, e por considerarmos a língua nacional como um arquivo historicamente constituído e continuamente atualizado por diferentes dispositivos, dentre eles a mídia. A composição do corpus se deu por meio da busca em mídias impressas e digitais, a partir dos termos “Língua Portuguesa”, “língua nacional”, “português brasileiro” e “Língua Portuguesa no Brasil”. Essas buscas nos serviram de base para a seleção revistas e sites, em que verificamos o comparecimento do tema. De acordo com esse critério de seleção, definimos como material de análise três reportagens veiculadas na revista Veja, em formato impresso (2001, 2007 e 2010) e uma reportagem publicada no site G1 (Jornal Hoje, 2014). As análises realizadas aproximaram-se do método arqueológico foucaultiano, no qual o enunciado, entendido como unidade elementar do discurso, é apreendido em seu funcionamento vertical, ou seja, filiado a uma dada Formação Discursiva que fornece as regras para a posição do sujeito do discurso. O movimento de circulação dos enunciados em edições da revista Veja e no site G1 foi apreendido a partir de “trajetos temáticos”, com o interesse em recortar tais enunciados a partir dos trajetos nos quais se inscrevem diferentes sentidos de língua nacional, na relação com a Formação Discursiva Capitalista. Nesse sentido, os enunciados analisados foram reunidos com base em regularidades enunciativas situadas em quatro trajetos temáticos: 1) A língua como um bem econômico e culturalmente rentável; 2) A língua inatingível pelo falante brasileiro; 3) Língua a serviço da política e o político na língua; 4) Ecos de manutenção da força colonial. Trabalhamos com a hipótese de que os discursos sobre língua que circulam na mídia brasileira alimentam o arquivo da língua nacional atualizando memórias que conservam a hegemonia da Língua Portuguesa sobre as outras variedades linguísticas.

  • ANDREIA MONIC VIANA DOS SANTOS
  • Linguagem jurídica: um estudo sobre o ensino de “Português Aplicado ao Direito” na região norte do
    Brasil

  • Data: 28/03/2023
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  • O presente trabalho tem como objetivo geral investigar a configuração da disciplina de “Português
    Aplicado ao Direito” nos cursos de Direito das Universidades Federais da região norte do Brasil. Como
    objetivos específicos, pretende-se analisar o conteúdo temático da disciplina e as diversas
    terminologias com que ela aparece na grade curricular dos cursos de Direito selecionados, identificar as
    concepções de língua e linguagem subjacentes às ementas das disciplinas, compreender as relações
    entre linguagem e Direito e apontar como a disciplina “Português Aplicado ao Direito” contempla essa
    problemática em suas ementas e planos de curso. Para alcançar os objetivos propostos, foram
    adotados os seguintes procedimentos metodológicos: inicialmente, realizou-se um levantamento
    bibliográfico acerca das concepções de linguagem e suas relações com a prática jurídica; em seguida,
    para se compor o corpus de pesquisa, definiu-se que seriam investigados os cursos de Direito situados
    na região norte do Brasil, razão pela qual foi feito o levantamento dos cursos de Direito ofertados nas
    Universidades Federais da mencionada região; foi realizado então um inventário das ementas e dos
    planos de ensino das disciplinas voltadas ao ensino da linguagem, conforme se encontrou no Projeto
    Político Pedagógico desses cursos de Direito da região norte; por fim, partiu-se para a análise
    contrastiva dos documentos encontrados, a fim de evidenciar as concepções de linguagem subjacentes
    e as relações entre linguagem e Direito.

  • VALDIMIRO DA ROCHA NETO
  • A Representação da Brasilidade no Exame de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros – CELPE-Bras

  • Data: 28/03/2023
  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho tem por objetivo primordial analisar a representação da brasilidade produzida

    pela Prova de Certificação de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros - CELPE-
    BRAS. Esse objeto foi escolhido especialmente por ser visto como uma política linguística de

    promoção do português brasileiro para além das fronteiras latino-americanas. Entendendo
    que o CELPE-BRAS é extremamente relevante e desempenha um papel muito importante na
    política linguística voltada para a difusão do português fora do Brasil. A partir dos pontos
    discutidos neste trabalho, procuramos “caminhar” sobre os conceitos básicos da linguística
    que sustentam a discussão aqui. Assim, estabeleceu-se o objetivo de identificar quais características da brasilidade poderiam ser reconhecidas em textos escritos/impressos e aplicadas ao logo do primeiro quinquênio de existência do CELPE-Bras. É necessário, portanto, reviver uma discussão teórica que enfatize o CELPE-Bras como política linguística brasileira, sobre a mudança de paradigma na linguística aplicada a partir da década de 1990 e a importância de compreender as diferenças entre linguística e linguística aplicada. A dissertação objetivou demonstrar e analisar como essas diferenças linguísticas estão sendo construídas para a questão da identidade social. Durante o estudo, foi evidenciado que um dos pilares necessários para a Linguística é a análise de investigação que forma o universo literário, este sendo exposto e se houve avanços na abordagem, entrelaçando o debate com pesquisadores que alicerçam teoricamente essa pesquisa, tais como: Neves (2003), Rajagopalan (2013), Schoffen e Martins (2016), Paiva (2009 - 2019), Agossa (2017),Hall (1998), Miranda (2016), Uebel (2015), Souza e Soares (2014), dentre outros autores utilizados para facilitar a compreensão da construção da identidade social. Quanto aos recursos metodológicos, foram utilizadas estratégias de pesquisa e leituras de estudos qualitativos de diferentes autores, optando-se por estudos qualitativos. Por fim, nas considerações finais, buscou-se responder às indagações que nortearam essa pesquisa, recuperando inicialmente o que foi mencionado na execução do estudo, destacam-se as nuances brasileiras presentes nos textos escritos e imagéticos que compunham o CELPEBras em seu primeiro quinquênio de existência, onde se realmente podemos perceber, após análise, que há traços elementos identitários de brasilidade nos textos que os compunham. Fato esse que poderá beneficiar o meio acadêmico trazendo conhecimentos científicos que ampliem os saberes sobre o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros.

  • CAMILA NÉO CORRÊA
  • A PRESENÇA DA AUTORIA FEMININA REPRESENTADA POR JÚLIA LOPES DE ALMEIDA NO PERIÓDICO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (1894-1895)

  • Data: 09/03/2023
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  • A presente dissertação versa sobre a presença de textos assinados pela ficcionista Júlia Lopes de Almeida, encontrados nas principais seções do periódico Diário de Notícias (1881-1898), suporte que circulou na província do Pará por dezessete anos representando a imprensa paraense na segunda metade do século XIX. Para o desenvolvimento de nosso trabalho realizamos uma seleção dentre os gêneros textuais publicados pela intelectual nas principais seções do jornal, que se estendiam entre crônica, lenda e contos. Com o objetivo de recuperar alguns destes textos ficcionais publicados pelas mãos de Júlia Lopes de Almeida, direcionamos nossos estudos mais especificamente aos contos – In Extremis (1894); A Caôlha (1894) e Pela Patria! (1895). A autora desenvolveu importantes contribuições por meio da escrita e de discursos em relação a diversas temáticas sociais, políticas, familiares e intelectuais, que envolviam especialmente o público feminino, no século XIX, assuntos estes presentes nos contos supramencionados. O presente trabalho explanará introdutoriamente os principais aspectos e contextos nos quais a província do Pará encontrava-se quando se iniciou a circulação do exemplar Diário de Notícias e as particularidades do mesmo. Na sequência, explanamos de maneira objetiva a trajetória da escritora e sua contribuição para o campo literário. E, por derradeiro, realizaremos uma breve análise dos contos mencionados, com destaque ao perfil feminino dentro de cada trama. Para desempenharmos o estudo proposto nos apoiamos em teóricos renomados que dialogam sobre a temática em análise como Luca (1999), Meyer (1996), Lustosa (2003), Salomoni (2005), Mendonça (2006), Costruba (2009), Telles (2011), Cruz (2012), Silva (2014), Floresta (2019). Além de pesquisas bibliográficas foram feitas análises documentais nos microfilmes do jornal Diário de Notícias (disponíveis na Biblioteca Pública Arthur Viana, em Belém/PA) e na Hemeroteca Digital Brasileira.

  • LÍDIA MARIA GUIMARÃES DE MIRANDA
  • Aspectos da transposição intermidiática do romance "Jane Eyre", de Charlotte Brontë, para a graphic
    novel "Jane", de Aline Brosh Mckenna e Ramón K. Pérez

  • Data: 15/02/2023
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  • Nosso objetivo nesta dissertação de mestrado é analisar o processo de transposição do romance Jane
    Eyre, de Charlotte Brontë (1847), para a graphic novel Jane, de Aline Brosh McKenna e Ramón K. Pérez
    (2019), sob a perspectiva das teorias da Intermidialidade e da Adaptação. A pesquisa também leva em
    consideração um aspecto importante da obra de Brontë que é o fato de possuir, ao mesmo tempo,
    características de uma novela folhetinesca e de um Bildungsroman – o que torna mais complexo o seu
    processo de adaptação. Tais características, também foram transpostas e encontradas na graphic novel
    Jane, de McKenna e Pérez. Para lidar com a temática da transposição intermidiática lançamos mão dos
    seguintes autores: Linda Hutcheon (2013) para tratar da questão da teoria da adaptação; e Claus Clüver
    (2012), Irina Rajewsky (2020) e Lars Elleström (2017) para abordar os estudos sobre intermidialidade. O
    trabalho, pautado em pesquisa bibliográfica e análise de textos verbais e não-verbais, também leva em
    consideração os seguintes autores ligados à crítica literária, à história da literatura e à análise de
    quadrinhos: Rocha (2008), Carvalho e Silva (2021), Soares (2007), Hauser (1982), Moisés (1985; 1987),
    Silveira, Sangaletti e Wagner (2018), Silva (2015), Maas (2000), Carvalho (2010), Aguiar e Silva (1991),
    Mccloud (1995), Hatfield (2005) e Eisner (2010), dentre outros.

  • AMAILTON DOS SANTOS PAIXAO
  • MOBILIDADES CULTURAIS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: Um estudo dos romances A Selva, de Ferreira de
    Castro e Terra Caída, de José Potyguara

  • Data: 10/02/2023
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  • Esta dissertação tem como proposta estudar os romances A Selva (1989), de Ferreira de
    Castro e Terra Caída (2007), de José Potyguara. As narrativas são ambientadas na
    Amazônia brasileira, no momento em que a borracha era o principal produto da economia
    da região, precisamente, no final do século XIX e final do século XX, tendo como
    objetivo analisar a migração de nordestinos pra trabalhar nos seringais da floreta
    amazônica. Pretendemos demonstrar que essas obras têm um papel importante para
    refletirmos sobre as representações acerca da Amazônia brasileira, dentre as personagens
    que compõem os romances, Firmino e Chico Bento foram selecionados para análises
    comparativas, observando como os seringais e os seringueiros amazônicos são
    apresentados nos romances. A Amazônia sempre foi alvo de cobiça, de conflitos, de mitos
    e imaginários, sobretudo pelos colonizadores europeus. Analisamos as narrativas pelo
    víeis teórico dos autores como Silva (1998), Souza (2010), Gondim (1994), Pizarro
    (2012), Hall (2011), Bhabha (2019), enfocando os conceitos de diferença cultural,
    hibridismo, movência e mobilidades, bem como observar os discursos e imaginários que
    incidem sobre a essa região.

  • JANIELE FRANÇA CUNHA SOUZA
  • O GÊNERO DIGITAL MEME EM UMA ABORDAGEM LINGUÍSTICO-DISCURSIVA

  • Data: 10/02/2023
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  • A presente Dissertação tem como objetivo geral realizar uma análise metodológica do gênero digital
    meme, por meio da aplicação de categorias de análise de gêneros proposta por Motta-Roth (2011),
    articuladas aos aspectos teóricos formulados por Bakhtin (2010). Nesse sentido, a análise aqui
    empreendida parte das condições de produção do gênero, para então contemplar sua estrutura
    composicional, seu conteúdo temático e seu estilo. Como problema de pesquisa, foi proposto o
    seguinte questionamento: como se caracteriza o gênero digital meme, tendo em vista suas
    características específicas, tais como condições de produção, estrutura composicional, conteúdo
    temático e estilo? Para encontrar possíveis respostas a esse questionamento, inicialmente, procedeu-se
    ao levantamento bibliográfico a respeito de gêneros, gêneros e multimodalidade e gêneros digitais, com
    a consulta a autores como, por exemplo, Bakhtin (2010), Motta-Roth (2011), Marcuschi (2005),
    Maingueneau (2001), Moran (2013), dentre outros, além de análise documental à BNCC. Em seguida,
    foram consultados diversos sites e redes sociais para a seleção de memes e posterior composição do
    corpus; por fim, realizou-se a aplicação das categorias teóricas para a análise do corpus selecionado.
    Dessa forma, em termos metodológicos, a pesquisa pode ser definida como de caráter qualitativo, de
    natureza aplicada, com procedimentos bibliográficos e objetivo de descrição e análise do corpus
    composto por memes digitais, com a temática voltada para o empoderamento feminino. Paralelamente
    à reflexão das características do gênero, buscou-se ainda destacar a sua potenciabilidade como
    ferramenta de ensino-aprendizagem, de modo que o presente estudo poderá contribuir também com a
    mudança de concepções e práticas no processo de ensino-aprendizagem de gêneros digitais.

2022
Descrição
  • AMANDA FÔRO DA SILVA MENDES
  • METÁFORAS VISUAIS EM QUADRINHOS DE UMA VIDA COM TRANSTORNO BIPOLAR

  • Data: 14/12/2022
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  • A pesquisa busca analisar as metáforas visuais apresentadas na narrativa gráfica Marbles, Depression, Mania, Michelangelo and Me (2012), de Ellen Forney, na qual a autora e narradora lida com alterações de humor devido ao Transtorno Bipolar I. Inicialmente, será apresentado uma contextualização teórica sobre depressão nas produções escritas, seguindo os conceitos de Emily Martin (2009) e outros autores que analisam os escritos autobiográficos situados nesse contexto de imagem, texto e alterações de humor. Tratando-se de uma forma de expressão verbal e não-verbal em quadrinhos, as pesquisas das autoras Hillary Chute (2010), Sidonie Smith e Julia Watson (2002), Elizabeth El Rafaie (2014), além de outros, apresentam uma analogia da concepção da prática do escritor como seu próprio referencial ao lidar com momentos de mania, depressão e um equilíbrio entre as duas emoções. Será apresentado o posicionamento da narradora em três momentos distintos durante a narrativa sobre o transtorno bipolar entre as alterações de humor. A análise a ser feita aqui está diretamente relacionada em como a narradora expressa seus sentimentos através da linguagem verbal e não-verbal durante as páginas dessa narrativa e como as metáforas visuais são essenciais para que o leitor compreenda como é lidar com essas questões de humor.

  • ALINE LIMA PINHEIRO
  • AS MÚLTIPLAS FACES DO FEMININO NA OBRA DE ALDA LARA

     

  • Data: 30/09/2022
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  • Esta dissertação de mestrado tem como objetivo analisar os poemas e contos
    da escritora angolana Alda Lara, levando em consideração o olhar crítico da
    autora sobre a relação conflitante entre as problemáticas femininas do
    casamento, da fé, do lar, do tempo, do silenciamento, da liberdade, do
    passado, contrapondo com as vivências da autora em Portugal e seu desejo de
    regressar à África, o que revela uma busca por uma identidade feminina. O
    enfoque principal do nosso trabalho são os perfis femininos presentes nas
    obras Poemas e Tempo de Chuva (caderno de contos). Nos chama a atenção
    a presença latente da maternidade nas obras apreciadas. Outro fator a
    observar é o caráter humanista, fortemente presente nos poemas e na prosa,
    que revela a preocupação e tristeza com o próximo. A fim de apresentar de
    alguma forma essas imagens, acolhemos na apreciação dos poemas, as
    palavras que indicam e/ou nos levam a imagens de mulheres, observando os
    eu líricos, títulos e dedicatórias. E nos contos, escolhemos as personagens
    femininas. Por fim, esta pesquisa pode proporcionar uma contribuição para
    outros estudiosos de autoras de literatura de Língua Portuguesa, que
    direcionam seus olhares aos perfis femininos, apresentados nas obras, seja por
    meio dos vocábulos ou pelas personagens, representando, quase sempre, as
    diversas mulheres na sociedade. Para a concretização desse estudo, lançamos
    mão de um suporte teórico que conta com muitos autores, dentre os quais
    destacamos: Beauvoir (2016), Bourdieu (2012), Cameron (2002), Mead (2009),
    Nicholson (2003), Perrot (2017).

  • CARMELIA GONCALVES DE FARIAS
  •  

    Análise Documental de Pesquisas sobre Línguas Indígenas no Sudeste do Pará

  • Data: 05/09/2022
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  • Nesta dissertação, foi abordada a temática das línguas indígenas, com foco na região
    Sudeste do Pará, mais precisamente em oito comunidades indígenas, a saber, Asuriní
    do Tocantins, Guarani-Mbya, Xikrín do Cateté, Suruí Aikewara, Parakanã, Parkatêjê,
    Kyikatêjê e Kayapó. Trata-se de uma pesquisa documental (LÜDKE; ANDRÉ, 1986),
    de abordagem qualitativa, cujo principal objetivo foi analisar trabalhos, entre Teses e
    Dissertações produzidas especificamente por linguistas, que retratassem os contextos
    linguístico e social desses povos indígenas. Desse modo, constituíram-se como objeto
    de estudo os trabalhos de Silva (1999), Silva (2001), Aquino (2010), Brito (2015),
    Costa (2015), Alencar (2018) e Silva (2014). Para aprofundar a temática, além da
    pesquisa documental, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, a qual constituiu,
    primeiramente, uma esteira cronológica das correntes linguísticas, compreendendo
    desde o século V, na Grécia, perpassando pelo estruturalismo e gerativismo, até o
    século XX, em que se observa o conceito de língua como fato social, sublinhando os
    postulados de Lyons (1979), Weedwood (2002), Camara Junior (2011), Martelotta
    (2011), Saussure (2006), Calvet (2002), Mollica (2020), Bagno (2008) e outros; em
    seguida, a pesquisa abordou temas relacionados aos estudos de língua, cultura e
    sociedade, destacando-se os autores Alencar (2018), Brito (2015) e Costa (2015); e
    no terceiro momento, com relação às línguas indígenas, ressaltaram-se os
    pensamentos teóricos de Rodrigues (1993), Silva (2009), Franchetto (2007), D’Angelis
    (2019) e Crystal (2000) – este último versando sobre a morte das línguas. A pesquisa
    mostrou, dentre outras questões, que o material analisado é de ordem linguística: 1
    relacionado ao aspecto descritivo das línguas e seus aspectos morfossintáticos, 3 de
    matriz sociolinguística, abordando a relação das línguas indígenas com o contexto
    social em que estão inseridas, 3 de casos específicos da gramática da língua indígena
    e 1 sobre o processo de ensino e aprendizagem.

  • ELISA ANJOS DA SILVA
  • EFEITOS DE GOVERNAMENTALIDADE NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19: funcionamentos discursivos na mídia

  • Data: 30/08/2022
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  • O presente trabalho vincula-se à linha de pesquisa Linguagem, Discurso e Sociedade, do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. A pesquisa tem como objetivo central analisar efeitos de sentido em reportagens produzidas e circuladas pelo Governo do Estado do Pará sobre a pandemia de Covid-19. Nosso interesse é apreender como a relação entre poder-saber e verdade se articulam na produção de sentidos de governamentalidade, procurando problematizá-los a partir sobretudo dos estudos foucaultianos, sob a hipótese de que é no domínio da governamentalidade que as políticas de Estado funcionam como dispositivos de segurança e de controle da população, ou seja, na governamentalidade ou biopolítica, se há ganhos, por um lado, com políticas públicas que se apresentam como formas de cuidado com a população, por outro lado há perdas quando se trata de controles de subjetividades por parte do Estado. Para isso, a metodologia fundamenta-se na análise de discurso de linha francesa, pautando-se na perspectiva da análise arquegenealógica foucaultiana, a partir da qual o arquivo do que já foi dito no âmbito do Governo do Estado do Pará é apreendido não a partir da pretensão de reunir todos os documentos, reportagens, anúncios, legislações etc. produzidos sobre a pandemia, mas de circunscrever como os discursos da governamentalidade se espraiam por diferentes domínios (médicos, educacionais, administrativos, legais etc.) e se entrecruzam numa rede de sentidos produtores de novas condutas dos sujeitos, de controle dos corpos, na determinação de espaços de circulação, de produção de verdades sobre efeitos da pandemia etc. Não se trata, portanto de rejeitar as ações do Estado com suas políticas públicas, mas de compreender os efeitos produzidos na relação com a população, entendidos como governamento. No método arqueogenealógico rompe-se com a concepção de continuidade histórica, posto que a história é apreendida não a partir de uma sequência linear, mas de rupturas que abrem possibilidades para novas regularidades discursivas. Dessa forma, a análise das práticas discursivas se faze num batimento entre a regularidade e o que emerge como novo. É dessa perspectiva que apreendemos enunciados que circulam nos discursos governamentais sobre a pandemia, na relação entre o que já foi dito no mesmo ou em outros domínios do saber e o que passa a ser dito em contexto de pandemia, em diferentes domínios (educacional, médico, jurídico, econômico, administrativo, etc.), mas
    entendendo que esses discursos se entrecruzam para sustentar uma razão de governamento. Como corpus de análise desta pesquisa selecionamos oito reportagens produzidas e veiculadas em formato online pela/na Agência de Notícias do Governo do Estado do Pará (https://agenciapara.com.br/noticias.asp), entre os meses de março de 2020 e novembro de 2021. As regularidades discursivas nos levaram a construir cinco eixos a partir dos quais são agrupadas as reportagens: 1) Técnicas de segurança no domínio governamental; 2) A arte de governar recriando estratégias de poder; 3) Dispositivos de vigilância e controle da população; 4) Técnicas produtoras de verdades; e 5) Dispositivos de confissão: técnicas subjetivadoras. Tal como procede o método arqueológico, as regularidades discursivas se filiam a dadas formações discursivas caracterizadas pelo objeto, pelos temas, pelo estilo, pelas estratégias enunciativas.

  • YEDA NAYARA CHAVES DO NASCIMENTO MILESI
  • FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NO ENSINO FUNDAMENTAL: ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO COLABORATIVO NO CONTEXTO ESCOLAR.

  • Data: 23/08/2022
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  • A presente pesquisa teve por objetivo analisar a ação e interação do professor com o
    coordenador pedagógico para reflexão didática na participação de um projeto
    colaborativo de formação continuada no contexto escolar de Ensino Fundamental. Este
    estudo possuiu como foco investigativo o projeto “Formação de Formadores:
    constituindo redes colaborativas de aprendizagens”, desenvolvido no município de
    Itupiranga – Pará. Nesta perquirição aspirou-se responder a seguinte pergunta de
    pesquisa: como a formação continuada no lócus da escola virou espaço de participação
    e reflexão didática do professor sobre sua própria prática, tendo como parâmetro a
    experiência em um projeto colaborativo no contexto escolar? A abordagem deste estudo
    é de cunho quanti-qualitativo e o procedimento metodológico se intitulam por pesquisa
    de campo e pesquisa participativa. O foco da pesquisa compreendeu ao conjunto das
    ações formativas realizadas através do projeto “Formação de Formadores”, com foco
    nas práticas de Leitura. Para produção de dados, optou-se pela pesquisa documental e
    aplicação de questionários a um grupo selecionado de professores, coordenadores
    pedagógicos, gestores e a uma professora formadora. Concluindo este panorama, a
    pesquisa selecionou uma das escolas públicas participante, para realização de momento
    de escuta aos docentes, através da aplicação de grupo focal aos professores e entrevista
    a coordenadora. Os estudos teóricos que nortearam a presente discussão foram
    selecionados de modo a fazer uma associação entre os temas formação continuada e
    práticas leitoras na escola, para isto, elegemos autores clássicos e conceituados nos
    referidos campos, além daqueles trabalhados no projeto Formação de Formadores:
    Brakling (2008); Freire (2005, 2021); Imbernón (2009, 2011); Lerner (2002); Rojo
    (2008, 2009); Soares (2006, 2020); Solé (1998); Pimenta (2011, 2012) e Placco,
    Almeida e Souza (2012, 2015), Tardif (2021), dentre outros. Os resultados apontam que
    o conceito apresentado pelo projeto formativo de formadores, consolidou a escola como
    lócus da formação contínua do professor, firmando a identidade do CP como formador,
    desenvolvendo um percurso formativo em rede colaborativa. Concluímos que a ideia da
    formação permanente centrada na escola é uma possibilidade real e aplicável, que
    promove ações colaborativas, sendo espaço de apoio e aprendizagens docentes, através
    das reflexões didáticas das questões inerentes a sala de aula, tendo como foco de todo
    processo o aluno.

  • MARLON CORREA AMARAL
  • POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E A FORMAÇÃO INICIAL EM PORTUGUÊS LÍNGUA ADICIONAL (PLA):

    UM ESTUDO A PARTIR DE CURSOS DE LICENCIATURA EM LETRAS

  • Data: 02/08/2022
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  • O Português como Língua Adicional (PLA) é uma área emergente que
    necessita de pesquisas e reflexões mais aprofundadas (SCARAMUCCI;
    BIZON, 2020). Por essa razão, nesta Dissertação, analisa-se o perfil de cursos
    de formação inicial em Letras – Português como Língua Adicional de quatro
    universidades públicas brasileiras (UnB, UFBA, UNILA e UNICAMP), partindo
    do pressuposto de que são poucas as publicações sobre o Projeto Político
    Pedagógico desses cursos, bem como as informações sobre o percurso e
    desenvolvimento da área de PLA. O critério de escolha das universidades foi o
    fato de elas serem, no Brasil, as únicas a ofertarem a Graduação em Letras
    com essa habilitação. Assim, de forma específica, objetivou-se mapear as
    Licenciaturas em PLA; averiguar a organização curricular, levando em
    consideração as suas especificidades; e discutir as políticas linguísticas, em se
    tratando do PLA, nas referidas universidades. A pesquisa está inserida no
    campo das teorizações sobre políticas linguísticas (SPOLSKY, 2004;
    SHOHAMY, 2006; DINIZ, 2012; ALENCAR, 2019), em interface com a
    Linguística Aplicada Indisciplinar (MOITA LOPES, 2006), Antedisciplinar
    (PENNYCOOK, 2006) e Crítica (RAJAGOPALAN, 2006). Do ponto de vista
    metodológico, trata-se de uma pesquisa documental, de abordagem qualitativa-
    interpretativista, a qual teve seu corpus constituído a partir do Projeto Político
    Pedagógico dos referidos cursos; e-mails trocados com coordenadores,
    professores e pesquisadores da área; notícias; postagens em redes sociais;
    resoluções; editais e documentos de base disponíveis em websites sobre o
    PLA enquanto política linguística desenvolvida nas universidades. Os
    resultados mostraram que o perfil dos cursos de Letras – Português como
    Língua Adicional, no Brasil, torna-se singular a depender do registro de
    experiências que constituem a área, da localização geográfica da instituição e
    das concepções teóricas que fundamentam o ensino, a formação de
    professores e as ações de políticas linguísticas reais e/ou de fato
    desenvolvidas por eles. Acredita-se, portanto, que esta pesquisa apresenta

    significativas contribuições para a área da Linguística Aplicada, com ênfase no
    PLA, haja vista que traz para o cerne uma discussão bastante recente e com
    potencial inovador para os Estudos Linguísticos.

  • ELIANE GOMES DA SILVA
  • EMÍLIA E LUZIA: FEMINISMO E CANGAÇO NA OBRA A COSTUREIRA E O CANGACEIRO, DE FRANCES DE PONTES PEEBLES

  • Data: 02/06/2022
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  • Essa dissertação de mestrado tem como objetivo analisar as personagens Emília e Luzia
    da obra A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles. A novela
    romanesca é contextualizada entre as décadas de 1920 e 1930, em Taquaritinga do
    Norte, interior de Pernambuco, período em que o Brasil passa por transformações
    políticas e sociais. Final da república oligárquica, revolução de 1930, voto feminino,
    seca e perseguição aos cangaceiros no sertão nordestino são alguns dos elementos
    constitutivos da narrativa de Peebles, que entrelaça as histórias das irmãs. Luzia é
    raptada por um bando de cangaceiros e Emília se casa e vai morar em Recife. Com
    destinos completamente diferentes, as personagens têm certas posturas vanguardistas e
    desafiadoras, considerando a sociedade patriarcal e sexista da altura. Assim, nossa
    análise é feita a partir da discussão acerca da construção social do feminino e da
    subjetividade das personagens, com suporte de teorias feministas e seus
    desdobramentos. Para tanto, usamos como referencial teórico Foucault, Simone de
    Beauvoir, Joan Scott, Judith Butler, entre outras referências.

  • MAYLA LUIZA DE ALMEIDA
  • O LIVRO ILUSTRADO INFANTIL CONTEMPORÂNEO: A INTERATIVIDADE COMO ESTRATÉGIA DE RECEPÇÃO

  • Data: 31/05/2022
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  • Contos de fadas são leituras que encantam há muito tempo adultos e crianças de várias culturas em lugares e tempos diferentes. No século XX, os contos de fadas tradicionais ganharam versões para o cinema e diferentes reescrituras e adaptações que consolidaram sua importância para o público de todo mundo e de diferentes idades. Os contos de fadas contemporâneos e suas reescrituras na forma de reconto ou adaptação permeiam o universo infantil e juvenil através do livro ilustrado com recursos interativos multimodais. A relação estabelecida entre leitor e o livro ilustrado impresso com recursos interativos é desencadeada por diferentes elementos do verbal, do visual e da composição do projeto gráfico que contribuem para a construção de sentidos e propiciam ludicidade ao leitor. Desse modo, essa pesquisa pretende analisar os recursos de interatividade não digitais presentes no livro contemporâneo para o público infantil e juvenil que contribuem para a apropriação do texto literário. Para tanto serão consideradas as estratégias tangíveis da hipertextualidade, da ludicidade e da materialidade de dois recontos, o primeiro sobre a história de Cinderela, intitulado de Os oito pares de sapatos de Cinderela; o segundo sobre a Bela Adormecida intitulado, As Belas Adormecidas (e algumas acordadas). As duas obras analisadas são de autoria de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. Para tanto, as problematizações dessa pesquisa serão a partir das contribuições teóricas de Hunt (2010),Chartier (1998), Lajolo e Zilberman (2017), Ramos (2018) e (2011), Linden (2011), Wandelli (2004), Medeiros (2011) dentro outros diversos teóricos. Como resultado, o livro ilustrado contemporâneo com recursos interativos não digitais voltados para as infâncias direciona não somente o olhar do leitor e sua experiência de leitura, mas também sua postura diante do objeto livro. Além disso, o reconto literário que explora a ludicidade, a intertextualidade e a hipertextualidade como estratégias de interatividade e de incentivo à leitura de contos de fadas compreende uma experiência de leitura prazerosa que desafia o leitor a ressignificar seu imaginário, sua criatividade e seus conflitos de pensamento.

  • JOYCE CORDEIRO REBELO
  • Traumas de Guerra: Memórias femininas na obra Se o passado não tivesse asas, de Pepetela

     

  • Data: 30/05/2022
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  • O conceito de memória é inerente com a história literária dos países africanos em língua
    portuguesa, que constroem uma identidade no período pós-colonial e pós-guerra. A
    leitura do tempo e do espaço, em obras ficcionais, ajudam a evidenciar outras narrativas
    dos excluídos da história oficial. Nessa perspectiva, essa dissertação analisa as
    estratégias narrativas de representação das memórias e dos traumas femininos de guerra,
    de uma forma metonímica e metafórica, no romance Se meu passado não tivesse asas,
    do escritor angolano Pepetela, como maneira de revelar dois períodos distintos da
    história de seu país: a guerra de independência e o pós-guerra. Com o aporte teórico
    fundamentado em autores que dialogam em vários campos dos saberes, principalmente,
    Mikhail Bakhtin, Frantz Fanon, Márcio Seligmann-Silva, Paul Ricoeur, Sigmund Freud
    e Walter Benjamin, Denise Abreu e Joel Candau, esse estudo teve como objetivo
    principal evidenciar que, assim como as personagens Himba e Sofia tornam-se
    personagens que revivem a mesma narrativa, da mesma forma o tempo e o espaço são
    iguais na diegese, ou seja, se fundem na perspectiva do cronotopo bakhtiano. Isso nos
    ajuda a refletir sobre o conceito de memória e identidade angolana. Selecionando alguns
    espaços na obra, tais como a floresta, a ilha da cidade de Luanda, o orfanato, o
    restaurante e o apartamento, demonstra-se como o trauma está presente na diegese de
    maneira evidente, mesmo de forma camuflada em objetos, nomes, diálogos e narrativas
    secundárias e paralelas. Os resultados da análise dessa estratégia narrativa evidenciam e
    conduz a reflexão sobre o que “corrompeu” a protagonista, representando a nova
    sociedade angolana elitista, que enriqueceu com o sofrimento de seus compatriotas mais
    desfavorecidos e a obrigou a se adaptar ao novo sistema que se instaurou em Angola no
    período pós-guerra.

  • JOSIENE DA SILVA QUEIROZ CAMPOS
  • ROTA LITERÁRIA DE MÁRIO DE ANDRADE, TARSILA DO AMARAL E BLAISE CENDRARS PELAS CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS GERAIS: Itinerários de São João Del Rei, Tiradentes e Ouro Preto.

  • Data: 02/05/2022
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  • ...

  • DOUGLAS AFONSO DOS SANTOS
  • CRENÇAS E ATITUDES LINGUÍSTICAS DE GRADUANDOS DO CURSO DE LETRAS: INTERFACES ENTRE SOCIOLINGUÍSTICA E EDUCAÇÃO.

  • Data: 18/04/2022
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  • Nesta dissertação, abordou-se o tema da avaliação linguística, correlacionando os estudos de crenças e atitudes linguísticas com a Sociolinguística Educacional – subárea da Linguística que investiga, principalmente, como repercutem os processos de variação e mudança linguística no âmbito escolar, com foco no ensino e na formação do professor de línguas. Objetivou-se, de modo geral, analisar as crenças e atitudes linguísticas de graduandos do curso de Letras da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Campus de São Miguel do Guamá – PA. Assim, para alcançar esse objetivo, foram utilizados dois procedimentos técnicos, quais sejam, a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo. Na primeira, buscou-se traçar uma definição das crenças e atitudes no âmbito da Psicologia Social, mostrar a relação dessa temática com os estudos linguísticos e revisitar alguns estudos já realizados nesta mesma perspectiva, a saber, Costa (2019), Cyranka (2007), Espíndola (2019), Pinto (2018), Santos (2016) e Santos (2019). Além disso, tematizou-se também a aplicação da Sociolinguística à Educação, abordando assuntos como a consolidação de uma Linguística Social, a importância da reflexão acerca da variação linguística em sala de aula, o ensino de gramática e a formação do professor de Língua Portuguesa no curso de Letras. Na pesquisa de campo, delimitou-se como sujeitos doze graduandos do curso de Letras da UEPA, seis de uma turma iniciante e seis de outra concluinte, aos quais, com o auxílio de duas plataformas digitais, Google Meet e Google Forms, foram aplicados dois testes, um de crenças e outro de atitudes linguísticas – respectivamente. No primeiro, os discentes responderam abertamente a sete perguntas, e no segundo, avaliaram textos orais que apresentavam registros da norma padrão e dos traços descontínuos do português brasileiro (BORTONI-RICARDO, 2004), respondendo a sete assertivas na escala de Likert. Os dados obtidos com o teste de crenças linguísticas foram analisados à luz da Análise de Conteúdo Categorial, proposta por Bardin (2016), enquanto que os dados do teste de atitudes linguísticas foram interpretados estatisticamente, tendo como base as variáveis sexo e turma. A partir da revisão de literatura, pôde-se constatar, principalmente, que o ensino tradicional da gramática normativa é um dos principais fatores que ocasionam o surgimento de crenças e atitudes linguísticas negativas. Os resultados da pesquisa de campo corroboraram essa interpretação, tendo em vista a constatação de que a maioria dos alunos chegou ao curso de Letras da UEPA com o propósito de compensar uma lacuna instaurada ao longo da Educação Básica, observando-se, entre eles, a crença de que apenas os aspectos gramático-normativos da língua seriam discutidos no referido curso. Contudo, verificou-se que essa crença, entendida como um dos componentes atitudinais (LAMBERT; LAMBERT, 1981), foi relativamente atenuada ao longo da formação, ainda que os demais componentes – sentimentos e emoções e tendências para reagir – não tenham se modificado entre alguns sujeitos, demonstrando, portanto, a continuidade de determinadas atitudes linguísticas negativas.

  • TATIANA CAVALCANTE FABEM
  • FIGURAÇÕES NA LITERATURA E NAS ARTES VISUAIS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA: uma leitura do romance Cinzas do Norte, de Milton Hatoum

  • Data: 08/04/2022
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  • A dissertação Figurações na Literatura e nas Artes Visuais da Amazônia
    Brasileira: uma leitura do romance Cinzas do Norte, de Milton Hatoum
    materializou uma reflexão sobre os discursos de identidade e identificações
    ligadas à Amazônia a partir das artes visuais, estudando as personagens
    relacionadas aos campos artísticos presentes no referido romance de Milton
    Hatoum. Como resultado de pesquisa comprovou-se que os discursos sobre a
    Amazônia estão presentes de forma pedagógica ou performática nas obras de
    arte reais e ficcionais de Cinzas do Norte, e que tais discursos se ligam aos
    primeiros viajantes, passando pelos naturalistas, e indo até a
    contemporaneidade. As reflexões sobre os processos de identificação na arte na
    Amazônia, seguindo as exposições de obras reais e ficcionais na narrativa
    estudada, vão desde a belle époque até a arte contemporânea. As ferramentas
    teóricas utilizadas para o presente estudo se ligam aos estudos culturais, com
    uma focalização nos processos de identificação, como Hall, Bhabha, Bakhtin,
    dentre outros.

  • WELLYSON GOMES DOS SANTOS
  • NARRADORES E NARRATIVAS DE RESISTÊNCIAS NOS ROMANCES A CONJURA

    (2009) DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA E LEALDADE (1997) DE MÁRCIO SOUZA

  • Data: 30/03/2022
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  • A presente dissertação objetiva analisar o perfil do narrador nos romances A Conjura (2009) de José Eduardo Agualusa e Lealdade (1997) de Márcio Souza, que julgamos, aqui, como narrativas de resistências. O romance A Conjura (2009) de Agualusa, mostra o processo de construção da tão sonhada autonomia nacional por uma grande parte da nação, uma vez que o povo de Angola buscava a identidade e independência durante um período conflituoso, focando nos temas, ideologias políticas, histórias/ “estórias” que povoam o contexto e que são plasmadas no romance. Já o romance Lealdade (1997) de Souza tematiza a busca da colônia portuguesa do Grão-Pará por sua independência, tanto de Portugal quanto do Reino Unido do Brasil, em meados do século XIX. A metodologia utilizada nesta dissertação é a de pesquisa bibliográfica porque compreende a identificação, localização, compilação e fichamento das informações e ideias mais importantes do referencial teórico, além de analítico-comparativo, pois se realiza pela análise de sujeitos, fenômenos ou fatos, com o propósito de destacar as semelhanças entre eles. A escolha dos textos, autores e personagens citados, visa destacar a origem do protagonista e reafirmar os aspectos culturais daquela região, na perspectiva do narrador e suas narrativas de resistências. Somado a isso, pontuamos que nos romances estudados, as análises do nosso corpus são a partir dos narradores e suas narrativas de resistências, explorando algumas categorias de análise como o narrador em Bosi (1996) e Benjamin (1994), a resistência em Bosi (1996), a memória em Ricouer (2010), a história em Benjamin (1940), e a literatura comparada de Carvalhal (2006). Além disso, iniciaremos o trajeto revisitando os pressupostos teóricos de Lowy (2010-2011) e a importância de escovar a história a contrapelo, Benjamin (1940) sobre o materialismo histórico, Ricouer (2003) apontando o resgate da memória, Todorov (2000) no que diz respeito aos abusos de memória, Bosi (1996) sobre o romance e o tratamento de valores, e Carvalhal (2006) a respeito da literatura comparada.
    Palavras-chave: Literatura Comparada, Resistência, Materialismo Histórico, Narrador.
    Memória.

  • BRUNO JOSÉ DINIZ DE SOUZA
  • ROTEIRO LITERÁRIO DE “PARÁ, CAPITAL BELÉM”, DE BENEDITO NUNES: VIAJANTES, RELATOS E MEMÓRIA VIVA

  • Data: 08/03/2022
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  • Na importância de resgatar os valores que representam uma cidade, através de sua história e seus personagens, a seguinte dissertação apresenta um roteiro turístico e literário para a cidade de Belém, baseado na obra “Pará, capital Belém”, de Benedito Nunes que reúne em crônicas, os relatos dos viajantes: Padre Antônio Vieira, Giuseppe Landi e La Condamine, sujeitos estes, considerados viajantes, que estiveram na capital paraense em períodos distintos e deixaram viva suas memórias na importância histórica da cidade. Os tipos de viajantes e suas motivações, o contexto histórico do turismo e suas derivações como o roteiro, o turista e a literatura do Turismo também elevam este estudo que busca inserir nas práticas turísticas e literárias, elementos modernos como os QR Codes (Códigos de resposta rápida) para servir como auxílio ao público que escolher fazer parte do roteiro da capital híbrida. Para compreender este estudo, as referências utilizadas se baseiam nos estudos comparados em cada segmento em destaque e seus autores, entre eles: Antonio Candido, Afrânio Coutinho, Fernando Cristóvão, Luís Romano, John Urry, Quintero e Baleiro, Graça Joaquim e Benedito Nunes.

  • EMILLY VALERIA SOARES COELHO
  • “EU SOU COMO VOCÊ”: A CONSTRUÇÃO DO ETHOS DISCURSIVO DE REFUGIADOS

  • Data: 24/02/2022
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  • Esta dissertação tem como objetivo geral desvelar como ocorre discursivamente a construção do ethos, ou imagem de si no discurso, de imigrantes refugiados no Brasil, de diversas nacionalidades, por meio de quatro entrevistas públicas. Questiona-se com esta investigação como a imagem discursiva desses imigrantes é construída, entremeio ao processo de acolhimento no país e aos diálogos estabelecidos entre as culturas transnacionais. Esta pesquisa se dá sob a égide da Análise do Discurso Francesa (AD), com estudos capitaneados por Michel Pêcheux e Eni Orlandi. Para compor o aporte teórico desta análise utilizamos como principal âncora o estudo do ethos discursivo, partindo da nova retórica, na perspectiva atual, à luz de Ruth Amossy (2005) e Maingueneau (2015). Através de excertos extraídos das entrevistas, levamos em consideração diversos fatores a serem analisados, como orador, auditório, gênero, linguagem, estereótipos, intencionalidade, entre outras imagens e representações de si que o locutor explicita, não pela forma como fala, mas pelo que é mostrado por meio das escolhas feitas por ele. Em relação à metodologia de pesquisa, adotamos a abordagem qualitativa, que se trata de uma pesquisa explicativa prática e empírica, nos moldes de um estudo de caso explanatório, utilizando fonte de informação secundária, ou seja, quatro entrevistas extraídas da plataforma pública de compartilhamento de vídeos YouTube. As análises iniciais mostraram, através do corpus de pesquisa da dissertação, um ethos em comum entre todos os refugiados entrevistados, com viés positivo, pelo fato de o Brasil acolhê-los. No entanto, algumas características de cunho negativo são demonstradas a partir do contato com a nova cultura e com a língua do país. Essas características serão descobertas no desenrolar desta pesquisa.

  • THIALYSON AGUIAR FERNANDES
  • CARMELA DE ANTÔNIO ALCÂNTARA MACHADO: a emancipação da mulher na sociedade brasileira do início do século XX

  • Data: 09/02/2022
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  • Nos últimos anos, a mulher tem ganhado destaque em diversos setores da sociedade e nos estudos literários (ZOLIN, 2005). Entretanto, nem sempre foi assim. A censura fazia parte do quotidiano feminino, principalmente nos primeiros anos do século XX, conforme Priori (2004) e Xavier (1991). Este estudo, de caráter bibliográfico (SEVERINO, 2007), tem por objetivo geral compreender o papel da mulher na sociedade desta época, mais especificamente entender como a personagem Carmela, que dá nome a um dos contos da coletânea Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de Alcântara Machado (1995), se encaixava (ou não) nesses padrões sociais. Isso tudo partindo de um questionamento sobre o espaço da mulher no início do século passado (GIULIANI, 2004). Abordamos também uma breve história da obra e da vida do autor, a fim de compreender o funcionamento da sociedade na qual a obra está inserida, com base em Paulo (2017) e Xavier (2004). Adentrando o texto, analisamos personagens e ambientes com base no duplo, segundo Bakthtin (2013) e Damatta (1997). Por fim, esta pesquisa pode servir de aporte para outros estudiosos da literatura brasileira que têm o papel da mulher na sociedade como objeto de estudo.

  • SILVANEY VIEIRA DA SILVA
  • O ensino da língua Asuriní na aldeia Trocará

  • Data: 31/01/2022
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  • Esta pesquisa busca refletir a respeito da educação escolar do povo Asuriní do Trocará, que vive da
    Terra indígena com nome homônimo ao povo, localizada a 24 km da cidade de Tucuruí-Pa; A pesquisa
    pretende discutir a respeito da educação em contexto indígena; analisar algumas atividades do livro
    Sené Se’énga 2; apresentar atividades que promovam a aprendizagem da língua Asuriní. O presente
    estudo está ancorado nos seguintes teóricos: Munduruku (2000); Santos (2006); Mandulão (2003);
    Simas e Pereira (2010); Aquino (2010); Laraia (1967); Cabral 2006; Assurini (2020); Richard e Rodgers
    (2001); Oliveira (2014), entre outros, bem como nos relatos de membros da comunidade. A pesquisa
    está sendo desenvolvida na aldeia Trocará em parceria com os professores indígenas e comunidade
    local. Durante a coleta de dados, realizamos entrevistas com os professores e com algumas pessoas
    mais velhas da aldeia; também foi aplicado um questionário aos alunos das turmas de 8o ao 9o ano;
    utilizamos um diário de campo no qual tomamos notas de reuniões; realizamos pesquisas
    bibliográficas entre outros instrumentos.

2021
Descrição
  • DANIELLY WEERDY OLIVEIRA DE JESUS
  • UMA VIAGEM NO TEMPO AFROFUTURISTA: (RE)FORMULANDO CAMINHOS NARRATIVOS EM KINDRED – LAÇOS DE SANGUE

  • Data: 20/12/2021
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  • ...

  • JOÃO RICARDO BARROS SILVA
  • A PRESENÇA DE ALBERT CAMUS NO BRASIL E A GÊNESE DO CONTO A PEDRA QUE CRESCE.

  • Data: 29/11/2021
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  • O objetivo desta pesquisa é reconstituir a presença de Albert Camus no Brasil em 1949 e fazer uma análise nos registros que Camus faz da visita a Iguape em seu Diário de viagem, uma vez que parte dessa experiência e de suas anotações o surgimento do conto “A pedra que cresce”, presente no livro O exílio e o reino, uma vez que a literatura possui inúmeras formas de abordar temáticas reais e imaginárias. O corpus desta pesquisa é bibliográfico e sua análise é comparativa, o que a justifica academicamente. Ademais, há um certo ineditismo nessa pesquisa sobre os estudos relacionados à crítica genética da escrita deste conto. Para tanto, este trabalho está dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo, explanaremos sobre a vida e a obra de Albert Camus, através de um levantamento bibliográfico; no segundo capítulo, falaremos dos ciclos que norteiam o pensamento filosófico e literário camusiano, que são “absurdo” e “revolta”; já no terceiro capítulo, será trabalhada a presença de Camus no Brasil pela crítica especializada, partindo de recortes de alguns principais jornais daquele tempo, além das próprias percepções deste autor descritas em seu Diário de viagem. No último e quarto capítulo, trataremos do criterioso estudo de análise comparativa e das relações intertextuais possíveis entre o Diário de viagem e o conto “A pedra que cresce”. Centraremos nossos estudos em informações do diário de viagem brasileiro de Camus e outros textos seus, como os Carnets, que são recursos diretos da sua gênese criadora. Por fim, vale mencionar as principais fontes bibliográficas que nos auxiliarão junto a esta pesquisa, que são Lebesque (1963), Onimus (1965), Gélinas (1965), Cryle (1973), Mathias (1975), Bartfeld (1995), Todd (1996), Corbic (2003), Lévi-Valensi (2006), Prouteau (2008), Guérin (2009), Mélançon (2011), Rodan (2014) e Rodrigues (2018). Palavras-chave: Albert Camus. Diário de viagem. A pedra que cresce. Crítica Genéti

  • ADRIANA DO SOCORRO SERRA PAIVA DE MOURA
  • “MEMÓRIA E HISTÓRIA DO POVO ASURINI DURANTE A CONSTRUÇÃO DA USINA

    HIDRELÉTRICA DE TUCURUÍ”

  • Data: 22/11/2021
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  • Esta dissertação de mestrado gira em torno da temática da preservação cultural entre os asurinis do Tocantins. Para tanto, o objetivo desta pesquisa é avaliar tal questionamento a partir do discurso de remanescentes indígenas expresso em entrevistas. Dentre os objetivos específicos estão identificar os problemas que levaram a uma crise na cultura dos asurinis do Tocantins e também verificar como os entrevistados percebem o sincretismo cultural. A pesquisa apresenta entrevistas com oito integrantes da comunidade indígena asurini do Tocantins que irão refletir sobre alguns aspectos da sua cultura. A metodologia utilizada foi a coleta de entrevistas, com representantes dos sexos masculino e feminino e de diferentes idades, sendo que essa seleção foi feita para que a pesquisadora pudesse estender sua percepção entre essa amostra de entrevistados. Quanto ao local de entrevista, algumas foram feitas na Reserva Trocará, e outras via telefone celular, devido à ocorrência da pandemia provocada pela COVID-19. Após a coleta do material, as entrevistas foram analisadas com base em estudos que lidam com o gênero textual entrevista, com trabalhos ligados à natureza fenomenológica, priorizando o que diz o entrevistado sobre cultura e preservação cultural. Sendo assim, a pesquisa dialoga com os seguintes autores, dentre outros: Bakhtin (2009), Merleau-Ponty (1994), Halbwachs (1990), Candau (2016), Ricoeur (2014), Haesbaert (2021), Hall (2015) e Bhabha (1998).

  • ORNIANE GUIMARÃES BAHIA
  • CRENÇAS LINGUÍSTICAS DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS

    NO MUNICÍPIO DE JACUNDÁ-PA

  • Data: 30/09/2021
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  • No âmbito dos estudos linguísticos as pesquisas sobre crenças têm
    apresentado contribuições relevantes no que concerne à reflexão sobre o processo
    de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa, na valorização da diversidade e no
    combate as práticas discriminatórias e preconceituosas. Muitas são as pesquisas que
    se dedicam a investigar crenças para compreender os problemas no processo de
    ensino e aprendizagem de línguas. No entanto, predominantemente esses estudos
    são desenvolvidos nos segmentos do ensino fundamental anos finais, ensino médio e
    ensino superior e cursos de idiomas, cujos sujeitos participantes são professores em
    formação, alunos, estudantes de cursos de letras ou línguas estrangeiras. É nesse
    contexto, que o presente trabalho se insere como uma pesquisa qualitativa de base
    interpretativista em que, por meio de entrevistas com perguntas semiestruturadas,
    investigou crenças de docentes dos primeiros anos do ensino fundamental da rede
    pública do município de Jacundá no estado do Pará, acerca do ensino de Língua
    Portuguesa. As reflexões teóricas aqui suscitadas encontram-se fundamentadas nos
    estudos de Barcelos (2007), Silva (2005), Silva; Botassini (2015), Botassini (2015),
    Marques e Baronas (2015), Vitorio (2017), Bortoni-Ricardo (2004, 2005, 2008, 2019),
    Marcos Bagno (2011) entre outros. Os dados coletados foram analisados a partir das
    teorias da sociolinguística educacional, tendo sido identificados um total de quatro
    crenças centrais interligadas a quinze crenças periféricas acerca do ensino e
    aprendizagem de língua materna, tais fenômenos implicam diretamente na postura
    dos docentes frente a forma como ensinam, no desenvolvimento de suas
    metodologias e no modo como ele acredita que o aluno aprende. As crenças
    apresentadas neste trabalho nos levaram a inferir que os professores vivenciam um
    conflito entre teoria e prática, pois embora reconheçam a existência da diversidade
    linguística, ainda apresentam um discurso permeado pela noção de “erro” por
    acreditarem na existência de uma língua correta, na qual inclusive um dos
    entrevistados denominou de universal.

  • EVA FERNANDES DE SOUZA
  • ARQUIVO, DISPOSITIVO E REPRESENTAÇÃO INDÍGENA EM DISCURSIVIDADES MIDIÁTICAS BRASILEIRAS

  • Data: 29/09/2021
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  • Desde o processo de colonização do Brasil, os discursos que passam a circular na sociedade, por meio de diferentes suportes e de múltiplas linguagens, não cessam de produzir representações dos povos indígenas, a partir de diferentes posições ideológicas. Em um contexto histórico de lutas e de resistências, as subjetividades dos povos indígenas são constantemente inventadas e reinventadas no âmbito de condições históricas dadas, a partir de diferentes práticas discursivas. O interesse em problematizar esta questão nos levou a definir como objetivo central deste trabalho analisar processos de produção de subjetividades indígenas na mídia jornalística, procurando compreender como as representações que sustentam esse discurso integra um dispositivo em que poder, saber e produção de subjetividades se articulam na produção de “vontades de verdades”, a partir da seguinte pergunta orientadora do percurso da pesquisa: “Que sentidos se produzem na mídia sobre o indígena e como as representações indígenas de si mesmos produzem efeitos de resistências face às representações hegemônicas?”. O corpus da pesquisa é formado de notícias que circulam na mídia em que o sujeito indígena é tomado como objeto de práticas discursivas cibernéticas. A pesquisa se fundamenta em pressupostos teóricos da Análise de Discurso de tendência francesa, mobilizando as contribuições teóricas de Michel Foucault, sobretudo no que concerne às relações entre poder, saber e subjetivação. Mobilizamos, também, a partir de Quijano (2005) o conceito de colonialidade do poder, considerando que tal conceito nos permite apreender, no funcionamento discursivo de subjetivação do outro, traços da matriz colonial. Concebendo a mídia como um dispositivo que, como tal, exerce seus controles a partir de múltiplas visibilidades e dizibilidades, as análises focalizam como esse dispositivo, no entrecruzamento de diferentes linhas de força, se lançam luzes de visibilidade e de invisibilidade ao produzir múltiplas representações do indígena com base em estereótipos fixadores da noção de raça. Por um lado, a ideia de raça aparece nos discursos analisados como justificativa para a interdição das diferenças, para a dominação e para a exclusão social. Por outro lado, ancorada na percepção foucaultiana de que poder e resistência se implicam, ou seja, que não há poder sem resistência, procuramos, também, apreender, no funcionamento discursivo da mídia, como no próprio jogo do dispositivo de poder emergem linhas de subjetivação em que a heterogeneidade discursiva reage a força hegemônica e homogeneizadora do dispositivo midiático.

  • SUZANA PEREIRA PACHECO
  • A LINGUAGEM SIMBÓLICA DA VIAGEM: O ITINERÁRIO E A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA NO RETORNO À CASA EM A ODISSEIA E CRÔNICAS DE CECÍLIA MEIRELES

  • Data: 16/09/2021
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  • Viajar é percorrer caminhos e lugares, vivenciando sempre algo novo, gratificante ou não. É também desbravar histórias de povos, de civilizações e de seres fantásticos, evadindo-se ou sonhando. Cada lugar descoberto emite uma sensação ao viajante, que a descreve com particularidades. É o que veremos aqui neste trabalho, ao viajarmos com Odisseu, o herói da Odisseia, em suas aventuras e desventuras de volta a Ítaca; e com Cecília Meireles, a poeta-viajante. O objetivo geral é desvendar a linguagem simbólica, proposta por Mircea Eliade (2008), que a viagem tem para eles, cujo caráter é transcendental, isto é, deslumbrante e elevado além de sua natureza física, o que a torna sagrada. Este é um dos fatos que os diferencia dos turistas, os quais são desatentos e eufóricos. O itinerário da viagem para o turista pode ser entediante, por não ter um significado, ainda que alegórico, mas para Cecília Meireles e Odisseu é uma maneira de reinventar a vida, já que ambos fruem do trajeto percorrido, não se privando de seus encantos, é também uma forma de voltar a si mesmo, como meditação e como ascensão. A reminiscência é outra simbologia para eles, que se preocupam com a preservação da memória no retorno à casa, como uma espécie de rito de passagem. Odisseu é o único herói da guerra de Troia de quem não se sabe o destino, por isso ele conta a sua história por onde passa, para não esquecer suas adversidades e receber notoriedade, deixando resquícios de seu heroísmo por meio da narrativa de suas peripécias, visto estar presente em um tempo em que as glórias de um homem eram medidas por seus feitos. A preservação da memória é o que lhe permite regressar à sua terra sagrada. Cecília Meireles também preserva a memória de suas viagens ao transformar as experiências nelas vividas em crônicas e poemas, não as materializando, mas sim eternizando-as e libertando-as.  Analisar o que acima se propõe através dos estudiosos de Cecília Meireles, como Gouvêa (2007); Gouveia (2007); Lôbo (2010); Romano (2014); e sobre a natureza simbólica da existência com Campbell (2007), Galvão (2016); Platão (2017), entre outros, é evidenciar as similaridades e diferenças entre um herói-personagem, viajante de uma preciosíssima mitologia grega e uma poeta que há muito aprendera a astúcia de combinar viagens com literatura e filosofia, transformando-as em mitologia.

  • LAIS MENEZES DA COSTA SOUSA
  • BELA SOB O OLHAR DA PSICANÁLISE: o narcisismo na personagem literária de Madame de Beaumont (1756)

  • Data: 28/06/2021
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  • Os contos de fadas podem ser reconhecidos tanto pela profundidade de significados como pela função pedagógica, em especial voltada para o público infantojuvenil, com a presença de personagens que, desde suas origens até a contemporaneidade, inspiram e ensinam leitores sobre como lidar com os acontecimentos da vida. O conto "A Bela e a Fera" possui destaque, diferentemente de outros contos consagrados, por ter sua autoria instituída por Madame de Villeneuve, em 1740, e por Madame de Beaumont, na versão adaptada de 1756. A psicanálise, desenvolvida por Sigmund Freud no início do século XX, é um dos campos de estudo que podem ser aplicados às narrativas sobre fadas, princesas e príncipes, como feito por Bruno Bettelheim entre outros pesquisadores com o passar dos anos. Neste trabalho, é proposta a análise da personagem Bela, sob o viés da psicanálise, prioritariamente sobre os aspectos narcisistas identificados na protagonista da versão de Madame de Beaumont.

  • ALINE PRISCILA MACIEL DE MORAES
  • O ETHOS DE FERNANDO HADDAD NAS ELEIÇÕES DE 2018: UMA ANÁLISE ARGUMENTATIVO-DISCURSIVA.

  • Data: 26/05/2021
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  • A eleição, ritual periódico e legitimado, é um procedimento de escolha de candidatos para o exercício de poderes na sociedade, momento em que os atores políticos utilizam variadas estratégias a fim de conquistar o voto do público eleitoral. Pensando no jogo discursivo instaurado, propomos uma análise qualitativa, de cunho interpretativista, da entrevista de Fernando Haddad ao Jornal Nacional, telejornal da Rede Globo de Comunicação, no primeiro turno das eleições, em 2018, quando concorreu à Presidência da República. Consideramos o ato de comunicação um dispositivo cujo centro é ocupado pelo locutor em relação ao seu interlocutor, sendo que o locutor, mais ou menos consciente das restrições impostas pela situação de comunicação e levando em conta a sua própria identidade, a imagem que faz do seu interlocutor e do que já foi dito, molda o seu discurso a partir dessas condições. Temos como objetivo geral identificar quais os principais ethé, a partir da análise das estratégias discursivo-argumentativas, que Fernando Haddad mobiliza durante a entrevista supramencionada, evidenciando como esses mecanismos discursivo-argumentativos estão presentes no corpus. Utilizamos como base teórica a Análise do Discurso de linha francesa, na perspectiva adotada por Charaudeau (2011, 2016) em sua teoria Semiolinguística, especialmente as concepções que propõe sobre o discurso político, cujo papel é essencial na fundamentação deste trabalho, bem como sua proposição sobre o ethos como estratégia do discurso político e, ainda, sobre os modos de organização do discurso, mais especificamente os modos enunciativo e argumentativo. Outras abordagens que dizem respeito à noção de ethos, em Amossy (2019) e Maingueneau (2019) são aqui consideradas. Por meio da análise do corpus, foi possível descrever a organização da encenação argumentativa e a construção do ethos ao longo da entrevista, em que o político-candidato faz uso dos ethé de credibilidade e de identificação, além do discurso de justificação, destacando os seus efeitos de sentido. Foi possível também compreender a constituição do discurso político como fato social num espaço de estratégias e restrições por intermédio da descrição tanto do contrato de comunicação quanto da situação de comunicação.

  • ANDRÉ VITOR SILVA LIMA
  • O HORROR DE ENCANTARIAS NA AMAZÔNIA: Figurações do monstruoso nas narrativas

    orais de Gurupá-PA

  • Data: 27/04/2021
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  • Esta dissertação de mestrado é um trabalho desenvolvido nos limites entre os
    estudos literários e os estudos culturais que envolve práticas metodológicas de
    caráter descritivo, qualitativo e bibliográfico. Nossa pesquisa consiste em uma
    abordagem de narrativas orais recolhidas através de um trabalho de campo
    empreendido pelo pesquisador numa determinada comunidade da Amazônia
    brasileira: a cidade de Gurupá, no estado do Pará, entre os anos de 2012 e 2015.
    O objetivo do estudo é analisar tais narrativas, as quais versam necessariamente
    sobre fenômenos sobrenaturais, mágicos, e/ou encantatórios a partir das teorias
    sobre o Horror e sobre o Monstruoso produzidas na esteira das discussões
    acerca do Fantástico na literatura. Dentro dessa perspectiva, dada a
    complexidade e a singularidade do fenômeno no referido espaço amazônico, o
    trabalho também propõe a criação de um conceito próprio para lidar com a
    questão, qual seja: o de Horror de encantarias, fruto da mescla constante de
    narrativas provenientes de contextos indígenas e ribeirinhos com elementos
    midiáticos. Para a concretização desse estudo, lançamos mão de um suporte
    teórico que conta com os seguintes autores: Cohen (1991), Corso (2004), Galvão
    (1955), Lovecraft (2007), Monteiro (2012), Pace (1998), Wagley (2014), Eco
    (2014), Silva (2019), Douglas (2012) e Sady e Loyolla (2017).

  • KÁTIA REGINA LIMA GUEDES
  • ENCANTARIAS DA FLORESTA: um estudo de narrativas orais, memória e identidade da comunidade
    Ramal dos Guedes, São Miguel do Guamá

  • Data: 09/04/2021
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  • Os processos de construção de identidades das comunidades amazônicas estão ligados, de modo significativo, histórica, cultural e socialmente ao imaginário popular. Nesse contexto, os encantados fazem parte desse imaginário e do cotidiano das pessoas que vivem nessas regiões, ocupando um lugar importante em suas narrativas de vida, experiências e comportamentos. Essas narrativas seguem os seus caminhos por meio das vozes dos narradores que contam e encantam os seus ouvintes. Porém, algo está mudando a cultura de algumas comunidades da região amazônica na atualidade. Alguns encantados que faziam parte do cotidiano de muitas comunidades estão desaparecendo. Nessa perspectiva, busca-se por meio deste trabalho abordar as narrativas orais que envolvem os encantados da comunidade rural Ramal dos Guedes, localizada no município de São Miguel do Guamá - PA. O objetivo deste trabalho é averiguar porque as narrativas de encantarias estão em declínio na comunidade, já que no passado as histórias eram narradas e ouvidas com mais frequência. Deste modo, intentaremos apresentar os possíveis elementos que desvelem a ida desses seres para outro lugar ou o seu desaparecimento; discutindo, a favor disso, cultura; narrativa oral com ênfase na memória e identidade da comunidade e a relação dessas narrativas com o processo de identificação cultural e memória local. O corpus da pesquisa é constituído por análise de documentos e conversa informal realizada com treze moradores. As análises dos dados coletados indicam que os seres fantásticos eram presentes na vida diária e no imaginário do povo dessa localidade há algum tempo, mas segundo os moradores, com o desmatamento quase todos os encantados foram para a floresta grande, dentre eles destacam-se o Pretinho do Miritizeiro, o Bode da Ladeira e o Curupira. O ser que ainda habita essa região, segundo os narradores, é a Matinta Perera e alguns encantados do igarapé do ramal. As assombrações são vistas com menos frequência, enquanto os outros permanecem no imaginário da comunidade. Dentre os autores abordados neste estudo nos embasamos em: Pizarro (2012), Maués (2005), Laraia (2001), Cascudo (2006), Bhabha (2013) e Benjamin (1994).

  • FRANCISCO MAGALHÃES LOPES
  • UM NARRADOR ESTILHAÇADO, UM MUNDO EM RUÍNAS: UMA LEITURA DE “OS CUS DE JUDAS” DE ANTONIO LOBO ANTUNES

  • Data: 10/03/2021
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  • A guerra do governo salazarista contra Angola é pano de fundo funesto do romance Os cus de Judas, cenário de horrores onde o narrador personagem foi jogado a serviço da pátria portuguesa para experimentar vinte e sete meses de angústia e morte que não param de lhe perturbar a alma mesmo encerrada seis anos antes de sua narrativa. A presente análise desse narrador, sob enfoque dialético, discute como essa experiência traumática aniquilou a vida e o mundo ao qual ele julgava pertencer. Sua memória, sua história e sua identidade começam a implodir desde o momento em que embarcou no navio sentindo-se expulso para a violência paranoica da guerra legitimada sob comoventes sons de “marchas guerreiras” e “discursos heroicos” dos senhores portugueses “donos da guerra”. Preso em um tempo de cinzas entre ruínas do passado, o narrador sente-se mergulhado em um hoje sem amanhã. Um angustiante presente constante de morte que se propaga em tudo e tudo contamina com o “cheiro pestilento da guerra”. Essa sensação é comum às narrativas que testemunham experiências extremas e que desafiam os limites da expressão, da percepção e da compreensão. Nessa literatura de ruína e aniquilação, emerge um novo tipo de sujeito perdido, fragmentado, sem referência, porém, a quem resta ainda a palavra, mesmo vazia de sentido, carente de audiência capaz de ouvir, de reconstruir. Essa atitude conforme Paul Ricoeur (2007) configura-se como um trabalho político e ético. Além das teorias de Ricoeur inerentes à memória, história e esquecimento, o estudo em pauta fundamenta-se também nas teorias de Walter Benjamin e Theodor W. Adorno no que concerne ao narrador e seu papel na literatura contemporânea. Jeane Marie Gagnebin e Márcio Seligmann-Silva corroboram com os autores acima elencados e às inerentes questões pertinentes à literatura testemunho. Como esta se constitui muito mais como uma nova abordagem de produção literária e artística do que como um novo campo de estudo, de acordo com Seligmann-Silva (2003) continua sendo imprescindível discutir linguagem, palavra, discurso e enunciação o que se faz à luz de Michael Bakhtin, Émile Benveniste, Emanuel Lévinas e Albert Camus.

  • CAMILA SOLINO RODRIGUES
  • O PORTUGUÊS DO BRASIL EM MATERIAIS DIDÁTICOS PARA ESTRANGEIROS: um estudo das variações linguísticas e socioculturais

  • Data: 26/02/2021
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  • Os estudos Sociolinguísticos têm contribuído significativamente para o
    desenvolvimento da consciência crítica dos docentes acerca dos processos de
    ensino/aprendizagem de línguas, principalmente no que diz respeito à inclusão
    das variações linguísticas em materiais didáticos (MDs) e à necessidade de
    abordagens linguístico-discursivas que rompam com o conceito de ensino
    homogêneo da língua, ainda presente na maioria dos materiais e salas de aula
    com trabalhos que vão desde Bright (1966) e Labov (1972) a Bortoni-Ricardo
    (2005, 2014), Zilles e Faraco (2015), dentre outros. Com relação ao contexto de
    ensino do Português como Língua Estrangeira (PLE) faz-se necessário refletir
    sobre como a tradição de ensino baseado na gramática normativa interfere no
    processo de ensino/aprendizagem verificando, através de estudos
    sociolinguísticos e da análise de materiais didáticos, a adequação (ou a falta
    dela) nesses materiais à uma compreensão de língua como heterogênea. Desta
    forma, o objetivo da presente pesquisa é realizar um estudo de quatro MDs,
    desta área, com foco num levantamento da forma como aspectos de variações
    linguísticas e culturais são exploradas nas atividades e temáticas selecionadas
    pelos materiais. Dentre os objetivos específicos encontram-se: 1. selecionar os
    MDs e os objetos de ensino a serem analisados. 2. analisá-los a partir do método
    interpretativista. 3. levantar similaridades e diferenças entre os MDs e os objetos
    de ensino. A contribuição teórica parte de Almeida Filho (2005, 2007, 2010),
    Antunes (2004, 2007), Bagno (2004, 2007), Bortoni-Ricardo (2005, 2014), Bosi
    (1996), Britto (1997), Faraco (2004, 2011), Hall (2003), Labov (1972 [2008]),
    Neves (2004, 2011), Schlatter (2009) e outros. A metodologia se configura em
    uma pesquisa bibliográfica através de uma análise qualitativa interpretacionista
    dos dados, com base nos apontamentos de Bardin (2016), Bortoni-Ricardo
    (2008), Flick (2004), Fonseca (2002), Gil (2002), Minayo (1994) e Schwandt
    (2007). Os MDs do corpus são: Português Via Brasil (LIMA; IUNES, 2005), Nova
    Avenida Brasil – Vol.1 (LIMA et al., 2008), Pode Entrar (OLIVEIRA, 2015) e Diga
    trinta e três... em português! (BRASIL, 2017). A análise destes consiste em:
    apresentação e contextualização; leitura, seleção e interpretação de conteúdos
    que relacionam-se com os tópicos de variação linguística e diversidade cultural;

2020
Descrição
  • ANDERSON DAMASCENO BRITO
  • A CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM CRIANÇA MIGUILIM – REFLEXÕES SOBRE ARTE, REALIDADE E INFÂNCIA NA NOVELA CAMPO GERAL, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

  • Data: 24/09/2020
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  • O texto apresentado realiza levantamento crítico acerca dos procedimentos de
    construção do texto literário, com foco na técnica em torno da personagem,
    buscando elucidar  de que modo essa microestrutura atinge certo grau de beleza (estética
    e simbólica) a ser experienciada no processo de leitura. A partir disso, a pesquisa
    procura sedimentar reflexões sobre a relação entre arte e realidade, noção de infância e
    processo de humanização, através do recorte e análise de episódios que colocam em
    relevo a personagem criança Miguilim, protagonista da novela Campo Geral, texto
    artístico que integra a obra Manuelzão e Miguilim, do escritor brasileiro João Guimarães
    Rosa. Observa-se, portanto, a aplicação de conceitos e postulados da Crítica Literária,
    Filosofia e Artes, que contribuem para a compreensão da narrativa rosiana. Para tanto,
    foi empregado material teórico ancorado em Massaud Moisés (2007) e Beth Brait
    (1999), Cândida Vilares Gancho (2001), Anatol Rosenfeld (2006), Alfredo Bosi (2003;
    2006), Antonio Candido (1995; 2006; 2007), Márcia Cabral da Silva (2010) e Benedito
    Nunes (2001; 2013).

  • MARIA VÂNIA PEREIRA MAGALHÃES
  • O TRATAMENTO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA COLEÇÃO PORTUGUÊS LINGUAGENS: do autor ao professor, do professor ao aluno

  • Data: 31/08/2020
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  • Este trabalho tem temática voltada para o tratamento da variação linguística sob duas perspectivas: a primeira apresenta como a abordagem se dá pelos autores dos livros didáticos de Língua Portuguesa destinados ao 6º, 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, especificamente, a Coleção Português: linguagens aprovada pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD 2017) e escolhida, com 92,5% de representatividade, pelos professores de Língua Portuguesa das escolas municipais de Parauapebas-PA; a segunda refere-se ao tratamento da variação linguística dado pelo professor em sala de aula, o que depende de sua concepção de língua e percepção quanto à sociolinguística. Trata-se de um estudo analítico-descritivo, de caráter quali-quantitativo, que se insere no âmbito da sociolinguística e tem como objetivo analisar, à luz dos estudos sociolinguísticos, em que medida as variedades linguísticas do português são abordadas na Coleção Português: linguagens do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e pelos professores de escolas municipais de Parauapebas. Para tanto, a pesquisa é fundamentada nos estudos da Linguística Aplicada e Sociolinguística (Bagno, 2001, 2002, 2003, 2006, 2007, 2008, 2013; Bortoni-Ricardo, 2004, 2005, 2006, 2011; Labov, 2008 [1972]; Calvet, 2002) e demais autores que investigam as variedades do Português e o ensino da língua materna. A primeira parte da análise aponta que há, nos livros didáticos, o reconhecimento da heterogeneidade da língua, contudo as normas urbanas de prestígio ainda são privilegiadas entre as variedades linguísticas do Português. Quanto à segunda parte da pesquisa refere-se aos dados coletados a partir do questionário aplicado aos professores de Língua Portuguesa que lecionam do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, os quais revelam que uma parte significativa dos professores reconhece a importância do trabalho com a variação linguística, porém, o fazem esporadicamente e de forma tímida por não saberem ainda como lidar com a temática ou por seguirem apenas a proposta do livro didático.

  • MARLENE BORGES DE CARVALHO
  • MEMÓRIA, IDENTIDADE CULTURAL E SABERES TRADICIONAIS DE POVOS ORIGINÁRIOS: um estudo de narrativas orais do povo Parkatêjê

  • Data: 27/08/2020
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  • Uma das formas mais eficazes de se conhecer um povo, uma cultura, ou uma pessoa, é através da sua história. As sociedades indígenas são consideradas sociedades de tradição oral, visto que seus saberes são repassados de geração em geração por meio, principalmente, da oralidade. Nesse contexto, as narrativas coletadas na aldeia GaviãoParkatêjê são de grande relevância, constituem-se como formas de transmissão de conhecimentos presentes nessa cultura e, sabemos que ensinamentos maiores temos na convivência com as pessoas, e neste caso e, em especial, os anciãos que participaram, colaborando em fortalecer a língua oral e consequentemente a cultura e seus próprios saberes. Nessa perspectiva, o presente trabalho objetiva produzir uma reflexão crítica sobre memória, cultura e identidade da comunidade indígena Gavião-Parkatêjê, com ênfase na vitalização de saberes tradicionais, suas histórias de vida e suas formas de viver e fazer, através de narrativas orais, tendo como pressupostos teóricos, especialmente da antropóloga Iara Ferraz (1996; 1998; 1984; 2000), pesquisadora e conhecedora da trajetória e história do povo Gavião e que conviveu com os Parkatêjê durante a realização do projeto Rondon, entre os anos de 1974 e 1980 e que nos deu uma base importante através do que nos deixou desse convívio; autores que nos auxiliaram com estudos póscoloniais e enfatizaram a importância dos estudos culturais, construção do processo de identidade e relação social como Canclini (1987), Bhabha (1988), Culler (1982), Derrida (1967), Mignolo (2010), Quijano (2005), Santiago (2000), Hall (2003), Viveiros de Castro (1996), Anderson (1983), Walter Ong (1998), Paul Zumthor (1989; 2000 e 2010) e Jerusa Pires Ferreira (2004) dão uma colaboração significativa, principalmente, no que diz respeito a oralidade e escrita; Ecléa Bosi (1994), Beatriz Sarlo (1997), Le Goff (2003), Almeida (2010), Eclea Bosi (1994), Beatriz Sarlo (2007), Jerusa Ferreira (2004), Marina Maluf (1995), Maurice Halbwachs (1990; 2013), entre outros que expressam valores, saberes e ideologias na construção sociocultural. Para tanto, entendemos as narrativas orais como sucessões de acontecimentos e histórias de vida, concebendo-as como elementos essenciais da tradição oral. Essa pesquisa de campo se realizou através de visitas, fotografias, vídeos, coletas e de narrativas gravadas e transcritas com cinco (05) indígenas anciãos da Aldeia Parkatêjê, localizada na BR 222, Km 35, cidade de Bom Jesus do Tocantins, estado do Pará. Acreditamos que esse trabalho apresenta contribuições significativas para outros estudos que tratam da valorização da cultura de povos originários.

  • RAAB SILVA PONTES
  • GÊNERO, IDENTIDADE E RESISTÊNCIA EM UMA SOCIEDADE DISTÓPICA: ENTRE AIAS, TIAS E ESPOSAS EM O CONTO DA AIA, DE MARGARET ATWOOD

  • Data: 24/08/2020
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  • Este estudo visa oferecer uma análise das representações literárias distópicas e de gênero construídos na obra da autora contemporânea Margaret Atwood. Para tanto, esta pesquisa está centrada em O Conto da Aia (1985). Esta narrativa de temporalidade futurista traduz os anseios dos ideários políticos e feministas proposto pela autora em seus romances distópicos. Tais elementos propõem discussões sobre questões de gênero e uma reflexão sobre o corpo feminino, principalmente no que concerne a atuação deste na cultura predominantemente patriarcal. Ademais, é possível perceber a comparação direta entre as subdivisões de classes das mulheres no romance em relação à organização da sociedade atual. Além disso, como objetivo principal, pretende-se relacionar a realidade ficcional com o contexto atual, levando em consideração alguns elementos de destaque: a vigilância, a opressão e a punição em que a sociedade e, principalmente as mulheres, são submetidas. Diante dessas concepções teóricas dos estudos de gênero, das teorias e críticas feministas busca-se a efetivação dessas discussões, para tanto serão utilizadas as obras de Michael Foucault (1987), Suzana Bornéo Funck (1998), Judith Butler (2017, 2019).

     

  • ADRIANA OLIVEIRA DA SILVA
  • ARGUMENTAÇÃO E TEXTO: UMA ANÁLISE SOCIOINTERACIONISTA DE EDITORIAIS DE CUNHO POLÍTICO

  • Data: 20/05/2020
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  • O presente trabalho parte da Teoria da Argumentação na Língua pressuposta por Oswald Ducrot (1987, 1988) e Anscombre & Ducrot (1883, 1994) para analisar elementos argumentativos segundo o quadro do modelo de análise de textos proposto pelo Interacionismo Sociodiscursivo. Serão analisados ainda elementos como as conjunções que atuam na organização do texto de forma que influenciam a argumentação e podem dizer mais do que está escrito, segundo o modo como são inseridas e a sua função na composição textual. Sendo assim, este trabalho propõe a análise de como os componentes introduzem a argumentação ao longo dos editoriais que compõem o corpus, visto que é necessário observar tanto esses elementos que tecem o texto como o ethos do agente-produtor e a imagem que ele passa de si na argumentação. Para o referido trabalho usaremos a metodologia de análise da arquitetura textual proposta pelo Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 1999) associada aos estudos sobre o ethos na argumentação de Ruth Amossy (2016, [2005]) e às pesquisas acerca das conjunções do português feito por Eduardo Guimarães (1948). Nesta perspectiva usaremos o termo folhado textual criado por Bronckart (1999) que é a forma como o texto se constitui, sendo composto por três camadas: a infraestrutura geral do texto, os mecanismos de textualização e os mecanismos enunciativos. Ainda da fonte do ISD será usado também o conceito já estabelecido na gramática tradicional e também trabalhado por Bronckart (1999) de modalização. As modalizações têm papel fundamental nesta análise, pois, são responsáveis por manifestar os diversos comentários e avaliações que são gerados a partir de elementos de conteúdos temáticos textual. O corpus é composto por quatro editorias de cunho político advindos de jornais diferentes: Supremo apoia Janot em mau momento de Temer, do jornal O Globo; A borracha da Lava Jato parece ter furado, Jornal do Brasil; Cronicamente desigual, Folha de São Paulo e Quadro sombrio. Por quê? O que fazer? O Estado de S. Paulo.

  • FRANCISCA CLAUDIA BORGES FERNANDES
  • O PODER DA PALAVRA: A PERFOMATIVIDADE DAS MULHERES CONTADORAS DE HISTÓRIAS EM MARABÁ-PA

  • Data: 30/03/2020
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  • A arte de narrar histórias, nas culturas orais, é performatividade dos mais velhos, que compartilham as suas experiências de geração a geração. Na contemporaneidade, essa prática milenar é assumida por novos contadores, que incorporam elementos pertinentes ao novo contexto promovido pelas relações sociais no cenário urbano. Esta dissertação tem como objetivo compreender as performances das mulheres contadoras de histórias, bem como, identificar as contribuições para o movimento de contação de histórias na contemporaneidade através das experiências estéticas e poéticas atribuídas a esse ofício. A pesquisa está dividida em duas etapas, orientada pela seguinte questão: como as experiências estéticas e poéticas das contadoras contemporâneas de história contribuem para construção da sua performatividade. A primeira etapa constituiu-se de uma investigação bibliográfica sobre a contação de história, experiência comum e experiência estética, a performance da mulher contadora de histórias, a contextualização da contação de histórias, de sua origem, na tradição oral as suas transformações na contemporaneidade. A segunda etapa, desenvolveu-se a partir de entrevistas narrativas com nove mulheres contadoras de histórias, seguindo a metodologia da história oral conforme Alberti (2005), as quais narraram suas memórias de vida-formação-profissão, mostrando como a contação de histórias se alinhava em suas vidas da infância à idade adulta. Para tanto, fez-se necessário o acompanhamento de reuniões e preparações dos espetáculos e os registros audiovisuais das performances. Ressalta-se que ao relatarem suas experiências, demonstraram os sentidos culturais, sociais e educacionais atribuídos à contação de histórias. Dessa forma, em diálogo com os sujeitos de pesquisa, com teóricos e estudiosos, como Benjamin (2009;2012), Zumthor (1993;2000), Glusberg (2013), Cohen (2013), Busatto (2003;2011), Matos (2009;2014), Dewey (2010), Machado (2004; 2015) e Bakhtin (2010), Loureiro (2015) esta pesquisa intentou mostrar como é constituída à performance das contadoras de histórias na/da Amazônia. Dentre os muitos sentidos que se pode atribuir a ela, as contadoras destacaram: a valorização das culturas que compõem a região; as subjetividades que realizam as suas performances; o caráter do inédito e do improviso dessa arte; o processo contínuo de interação com outro (contar e escutar); mediação e fomento à leitura para formação de leitores. Tais sentidos são ressignificados, ou seja, ouvintes e contadoras de histórias, cada um a seu modo, vivenciam a experiência estética de contar e escutar narrativas, por meio dessa arte de milenar. As práticas artísticas e performáticas dessas mulheres são únicas e inéditas, fruto de muito trabalho e estudo. São experiências estéticas e poéticas com a narrativa, em que se experiencia, num processo contínuo de descobertas de imagens verbais, sonoras e corporais, completando-se no momento da performance ao conectar-se ao público.

  • JÔSE MEIRY SOARES BRAGA
  • O COMPLEXO FRATERNO EM A VIDA COMO ELA É..., DE NELSON

    RODRIGUES

  • Data: 26/03/2020
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  • O presente trabalho tem por finalidade analisar as personagens das crônicas Diabólica e As gêmeas, pertencentes à popular coluna A Vida Como Ela É..., que Nelson Rodrigues escreveu durante dez anos para o jornal Ultima Hora, do Rio de Janeiro. O estudo das personagens tem caráter psicanalítico, voltado à influência das Relações Fraternas e do Complexo Fraterno em suas ações psicossociais. Esta pesquisa tem caráter de revisão bibliográfica e sua organização ocorre da seguinte maneira: no primeiro capítulo, falaremos da vida e obra de Nelson Rodrigues e de sua relação com a temática da morte; no segundo capítulo, trataremos sobre A Vida como ela é... e sua função na obra de Nelson Rodrigues; no terceiro capítulo, discorreremos sobre a relação entre Literatura e Psicanálise e sobre as relações fraternas; no quarto capítulo abordaremos a temática do complexo fraterno e no quinto capítulo, discutiremos como esta temática faz-se presente nas crônicas em questão. O estudo psicanalítico destas crônicas, permite-nos observar as relações entre irmãos no seio da família à qual pertencem para compreendermos de que forma o complexo fraterno influencia em conflitos psicológicos presentes nos personagens das obras. Nesse sentido, a pesquisa discorre pautada nas teorias de Sigmund Freud, A interpretação dos sonhos 1990 - 1991; Novas conferências introdutórias sobre psicanálise 1996 (1933); Gradiva" de Jensen e outros trabalhos.(1906 - 1908); Duas histórias clínicas (O “Pequeno Hans” e o “Homem dos ratos”) (1909); Jacques Lacan Outros Escritos (2003); René Kaës, O complexo fraterno (2011) e Luis Kancyper El Complejo Fraterno y sus cuatro funciones (2002). Isto posto, por meio de tais teorias, percebe-se o desenvolvimento de dramas familiares que ocasionam no fratricídio e eliminação da irmã rival.

  • GABRIELA PEREIRA DA SILVA
  • O IMPÉRIO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO: UMA PROPOSTA DE GLOSSÁRIO DOS TERMOS QUE COMPÕEM A FESTA EM MARABÁ

  • Data: 13/03/2020
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  • Este trabalho é o resultado parcial da pesquisa sobre a Festa do Divino Espírito Santo, na cidade de Marabá, Estado do Pará. Tem como objetivo a elaboração de um glossário com termos que nomeia e constituem as festividades realizadas no município. Identificamos e registramos itens lexicais que caracterizam as figuras, o ritual e elementos que conduzem a festividade. Os estudos sobre o léxico, de uma atividade cultural que ocorre em comunidades que falam a mesma língua e ocupam espaços diferentes indicaram a influência de fatores de natureza sociocultural e histórica. Nessa perspectiva, inserimos a Socioterminologia, uma disciplina que desenvolve métodos de análise para o termo e para a descrição dos eventos da língua considerando as características de variação no contexto social, histórico e linguístico, em que ocorrem as manifestações da fala e da escrita, como defendem Enilde Faulstich, Biderman, Lucchesi, Isquerdo, Gaudin, Ilari, Antunes entre outros autores que serviram de aporte teórico para esse estudo. O Glossário proposto está sendo construído por meio da ferramenta computacional Lexique Pro, será apresentado em ordem alfabética com definições dadas pelos informantes e pela pesquisadora de acordo com o contexto.

  • POLIANA DE OLIVEIRA SANTOS
  • CRENÇAS LINGUÍSTICAS DE ALUNOS DO CURSO DE LETRAS/ESPANHOL DO PARFOR (PROGRAMA NACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA) – JACUNDÁ – PARÁ

  • Data: 13/03/2020
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  • Este trabalho tem por objetivo identificar quais as crenças linguísticas que os alunos do curso de letras/ espanhol do PARFOR (Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica) - Jacundá- Pará, tem acerca da língua espanhola, bem como verificar quais as crenças linguísticas que podem ser consideradas de perspectivas iniciais (desmitificadas no percurso final), e aquelas que podem ser consideradas de perspectiva fossilizada, isto é, que serão sustentadas e transferidas na sua prática enquanto docente. Como base teórica, foram utilizados estudos e pesquisas na área da Linguística e Sociolinguística, Saussure (1972), Petter (2003, 2005), Bakhtin (2009), Perini (2010), Castilho (2010), Bagno (2014), Calvet (1975, 2002), entre outros. No âmbito de ensino e aprendizagem de línguas, com bases em Goettenauer (2005), Sedycias (2005), Martínez (2009) ademais dos estudos de crenças linguísticas de Barcelos (2001, 2004, 2006), Silva (2010), Santos (1996). Para a análise dos dados utilizamos uma abordagem qualitativa e como procedimento metodológico a Análise de Conteúdo (AC), os dados que constituem a pesquisa foram coletados através de entrevistas gravadas e, posteriormente, transcritas. Desta forma, a investigação é constituída pela fala de sete alunos do curso de letras/espanhol do PARFOR- Jacundá (UFPA). Para tal, foi elaborado um roteiro de entrevista com onze perguntas e essas foram organizadas visando alcançar o objetivo da pesquisa. Em suma, os resultados apontam para a existência de um sistema de crenças, e que prejudicam não só o processo de aprendizado do graduando como refletem na sua atuação como professor, uma vez que, da mesma forma que ele adquire, cria e perpetua crenças, ele pode desmitificá-las ou arraigá-las à seu exercício de docência.

  • EDILEIDE PATRICIA CAMARA LIMA
  • ESCRITA DE PROFESSORES, SUBJETIVIDADES E EXPERIÊNCIAS DE SI: PRODUÇÃO DE VERDADES
    CONFESSIONAIS

  • Data: 10/03/2020
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  • O objetivo deste trabalho é analisar em relatos de experiências de profissionais da educação a
    produção de subjetividade docente. Elegemos como material empírico de análise relatos de
    experiências escritos por profissionais da educação básica da rede pública de Marabá durante a
    realização de um programa de formação continuada promovido pelo governo federal, através
    do Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa, no período de 2014 a 2017 e de um
    programa de formação municipal desenvolvido pela Secretaria de Educação do município de
    Marabá, no ano de 2015. Assim, a produção escrita dos professores se dá no contexto de
    políticas públicas de formação, a partir de orientações sobre o fazer pedagógico. A base teórica
    desse estudo são as principais reflexões de Michel Foucault (2006) em seu terceiro domínio de
    investigação acerca da relação do sujeito consigo mesmo e de como emerge a subjetividade
    nesta relação. Voltamo-nos para a escrita que os professores realizam demandadas por tais
    programas durante os processos de formação, analisando como ao falar de suas práticas em sala
    de aula, suas experiências com o fazer pedagógico, sua relação com as demandas do projeto,
    suas perspectivas de formação, o sujeito se produz discursivamente através de dispositivos de
    confissões geradores e produtores de verdades confessionais, geradores de um saber sobre o
    professor. Nas análises de enunciados extraídos dos relatos escritos, identificamos cinco eixos
    a partir do quais agregamos a regularidade discursivas veiculada nos relatos. São eles: Adesão
    do professor à racionalidade metodológica; A denegação do outro: recusa ao tradicionalismo;
    Dispositivos de confissão e de autorregulação; Dispositivo de avaliação do outro da
    aprendizagem; Dispositivo de avaliação de si; O professor polivalente; Indícios de práticas de
    resistência. Nesses eixos de análises, apreendemos efeitos de sentido que inscrevem os
    professores em formação em processos de objetivação e subjetivação em que o professor é
    interpelado por diferentes dispositivos que legitimam e propagam os discursos da formação, e
    prestam contas aos programas. Evidenciamos que os programas de formações continuadas
    atuam sobre os comportamentos dos professores por meio de táticas que vão produzindo e
    conduzindo a subjetividade dos sujeitos. As técnicas são tão sutis, que os sujeitos tomam a si
    mesmos como sujeitos-livres. No entanto, estão entrelaçados por mecanismos de normatização
    e homogeneização de construção e fabricação em massa.

  • DEMETRIUS SOUZA ARAÚJO
  • DESTERRITORIALIZAÇÃO E RETERRITORIALIZAÇÃO NO CICLO ROMANESCO DE DALCÍDIO JURANDIR:

    CAMINHOS ENTRE CACHOEIRA E BELÉM

  • Data: 18/02/2020
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  • O Ciclo do Extremo-Norte é um conjunto de dez romances, escritos pelo paraense Dalcídio Jurandir, que contam a saga de seu herói, Alfredo. A obra foi projetada mediante a necessidade de compreender peculiaridades que permeiam a formação identitária do homem amazônida, processos específicos que o constituem como indivíduo do Norte, bem como suas origens, principalmente em função dos resultados dos deslocamentos por que passaram. Esta pesquisa propõe identificar os caminhos percorridos por Alfredo, apresentados pelo autor como uma nova possibilidade, compreendendo o pobre, o indivíduo errante, sem destino, em busca de assegurar um lugar que considere seu território, a fim de eximir-se da exclusão e da exploração históricas que acometem, como marca indiscutível, a herança social que lhe é inerente. O trabalho objetiva interpretar a teia estética que Dalcídio tece, enredando os movimentos nômades que envolvem seus personagens. Para isso, foi escolhida a análise do conceito de Desterritorialização, elucidado por Rogério Haesbaert (2004) e cunhado por Deleuze e Guatarri (1980). Partindo desse pressuposto, este trabalho discute tais deslocamentos ou trânsitos, e ainda os conceitos de território, desterritorialização, reterritorialização e, por fim, multiterritorialidade, basilares na obra dalcidiana. Para efetivação dessa discussão, é necessário um amparo técnico específico, como: Haesbaert (2004), Deleuze e Guatarri (1980), Barthes (2004), Bhaba (1998), Bourdieu (2013), Furtado (2010), Paulo Nunes (2007), Benedito Nunes (2009), Hall (2006), Said (2005), Santiago (2000), Assis (1992) e Bolle (2012). Os resultados obtidos comprovam a dedicação de Dalcídio Jurandir à empreita de apresentar o ser múltiplo e distinto que é o amazônida, formado por uma fusão atípica de eventos históricos, geográficos e sociais, dos quais procederam uma cultura muito própria, um panorama social adverso, muitas vezes oposto ao apresentado superficialmente e de forma estereotipada em grande parte das produções artísticas e literárias destinadas ao grande público.

2019
Descrição
  • VANIA GLAUCIENE GURGEL PONTES
  • JOSÉ DE ALENCAR: LITERATURA E DIREITO EM AURÉLIA CAMARGO E PEDRO

  • Data: 06/12/2019
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  • A presente dissertação tem por objetivo apresentar o diálogo entre o Direito e a Literatura na obra de José de Alencar. Em busca deste objetivo apresenta uma nova leitura sobre a obra do escritor, jornalista e advogado cearense com algumas expressões de sua fortuna crítica; traz as mudanças no país, a partir do Romantismo brasileiro no século XIX; também expõe a sociedade e o engajamento observáveis em sua obra. Em seguida, traz diálogos literários e jurídicos possíveis e imagináveis em Aurélia Camargo, protagonista de Senhora possuidora de uma personalidade avançada para sua época, e em Pedro, espécie de escravo doméstico, de O demônio familiar. O escritor participou dos movimentos culturais e intelectuais oitocentistas que desencadearam no Romantismo brasileiro com novas perspectivas sociopolíticas, jurídicas, culturais e artísticas. Para subsidiar as ideias desenvolvidas nesta pesquisa, a leitura de artigos em revistas e sites especializados em literatura e a leitura de obras dos autores Afrânio Coutinho (1987), Antonio Candido (2007), Alfredo Bosi (2015), Araripe Júnior (1958), Benoît Denis (2002), Leite (2007) e Sílvio Romero (1949), entre outros, foram fundamentais para chegar-se às diversas possibilidades de fruição dos romances de Alencar, em especial quanto aos personagens escolhidos.

  • TAINARA DANTAS DA SILVA
  • UM OLHAR SOBRE PORTUGAL: UM ESTUDO DE JANELAS VERDES, DE MURILO MENDES, E CRÔNICAS DE VIAGEM, DE CECÍLIA MEIRELES

  • Data: 22/11/2019
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  • Esta pesquisa propõe um estudo comparativo das Crônicas de viagem, escritas por Cecília Meireles, e da obra Janelas Verdes, de Murilo Mendes, que são textos que retratam as viagens desses autores por Portugal, um país com o qual mantiveram profundas relações familiares, afetivas e literárias. O trabalho objetiva formular interpretações que permitam visualizar que esses dois textos são capazes de estabelecer um diálogo e mostraremos isso a partir das impressões do olhar que os viajantes Meireles e Mendes lançam sobre a paisagem, cultura, memória e identidade do povo português. Para isso, foi escolhido o viés da Imagologia, que é, tradicionalmente, o nome dado a uma área de pesquisa, cujo objeto de estudo precípuo são as imagens de países criadas e veiculadas pela literatura. Para efetivação dessa discussão, há necessidade de um amparo teórico específico, dentre eles: Machado e Pageaux (1988), Nora (1993), Candido (1996), Nitrini (1998), Eagleton (2000), Cristóvão (2002), Hall (2003), Sousa (2005), Carvalhal (2006), Assmann (2008), Candau (2011) e Romano (2014). Como um dos resultados da pesquisa foi possível compreender que as crônicas de viagem e Janelas Verdes trazem o olhar particular de cada um dos viajantes para as cidades, cultura, história, arquitetura, paisagens, religião do povo português e, desta forma, podem motivar o leitor a viajar para este destino movido pela curiosidade de percorrer os mesmos caminhos dos escritores viajantes.

  • AMANDA GOMES MOTA
  • JÚLIA LOPES E A EDUCAÇÃO FEMININA: UM ESTUDO DO ROMANCE MEMÓRIAS DE MARTA

  • Data: 12/11/2019
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  • A presente pesquisa objetiva analisar a trajetória de inserção da mulher no campo educacional no Brasil do período entre séculos XIX-XX, a partir da análise do romance “Memórias de Marta” (1888), de Júlia Lopes de Almeida. Em nossa discussão, analisaremos a trajetória da personagem Marta, desde sua vida no cortiço em que mora com a mãe, sua formação na infância e juventude, até o alcance de sua independência ao exercer a função de professora. Nessa perspectiva, nosso trabalho apresenta um levantamento histórico do processo educacional brasileiro, considerando as legislações estabelecidas e as medidas implementadas no final período imperial e início do período republicano, estabelecendo as diferenças entre a educação destinadas aos homens e às mulheres. Posteriormente, vamos revisitar as produções acadêmicas que problematizam a participação da mulher na educação brasileira. Nesse momento procuramos analisar o discurso veiculado pelo texto ficcional de Júlia Lopes, conhecida pelo trabalho em prol da luta pelos direitos da mulher à educação. Embora nossa análise não esteja finalizada, é possível apontar que a construção do um processo educacional do Brasil, de modo geral, se deu de modo lento. Inicialmente, desenvolvia-se uma formação voltada para a religião, ministrada por Jesuítas. Após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, os esforços voltaram-se para a oferta de cursos de formação superior, a fim de manter os filhos varões da elite. Os ensinos primários e secundários pouca atenção receberam, uma vez que não se compreendia o processo de formação educacional do individuo de forma contínua. Voltando nossos olhares para a educação feminina, maiores foram as dificuldades impostas. Consideradas inferiores intelectualmente, a evolução da dinâmica de organização da sociedade brasileira, aliada à luta por direitos hoje reconhecidos como essenciais ao individuo, cedeu espaço para a participação feminina na educação, como aluna e, posteriormente, professora. Acreditamos ser relevante o nosso estudo na medida em que historicizamos o processo da conquista de um direito por muito tempo negado à mulher, a partir da análise da obra de uma autora pouco conhecida nos dias de hoje, mas que muito contribuiu para a visibilidade das mulheres, escritoras ou não, durante sua vida. Como aporte teórico para nossa análise destacamos Almeida (1998), Heller (1997), Lopes, Faria Filho e Veiga (2000), Del Priore (2011), Lajolo e Zilberman (1998), Muzart (2004), Telles (2012), Razzini (2000), Marinho (2001), Bernarde (1988), dentre outros

  • JUCILEIDE BARROS DE LOUREIRO
  • GLOSSÁRIO TERMINOLÓGICO DE MEDICINA NATURAL: ERVAS E PRODUTOS NATURAIS VENDIDOS NA FEIRA DA FOLHA  28 – MARABÁ/PARÁ

  • Data: 21/10/2019
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  • RESUMO: O foco desta dissertação é registrar o léxico dos produtos e medicamentos naturais comercializados na feira da folha 28, na cidade de Marabá, no estado do Pará. Para isto, foi produzido um glossário terminológico usando o programa LexiquePro, no qual foi inserido o termo, nome científico, quando houvesse e a indicação medicinal. O léxico de uma língua é de enorme importância para a comunicação efetiva. O Termo, como subconjunto do léxico é uma forma de saber, de conhecer o léxico de determinada área de conhecimento. Para Cabré (1995), a terminologia não tem uma definição fixa, mas sim uma diversidade de definição. Sager (1998) concorda com Cabré e afirma que a terminologia pode ser vista como uma teoria, como uma prática e como um produto. Como teoria é um conjunto de premissas e conclusões necessárias para explicar a relação entre conceitos e termos especializados. Como prática é o conjunto de metodologias necessárias para coleta, descrição, processamento e apresentação dos termos. Como produto, é o conjunto de temos ou vocabulário usado em determinada especialidades. Neste trabalho, exploraremos as três ramificações da terminologia. A prática da comercialização de produtos da medicina natural é algo muito presente na cultura brasileira, sobretudo, nortista, devido as riquezas existentes na Floresta Amazônica e que deve ser valorizada e cristalizada. Um meio de concretizar isto é a produção de um glossário terminológico dessas ervas e produtos, para disseminar o conhecimento muitas vezes esquecido. Este trabalho é destinada aos pesquisadores que se interessam pelos estudos da lexicologia, lexicografia, terminologia e, também para quem queira saber um pouco mais sobre a prevenção e cura presente nas nossas florestas.

  • MOISÉS RODRIGUES DE SENA
  • A METAFUNÇÃO IDEACIONAL DA LINGUÍSTICA SISTÊMICO-FUNCIONAL NAS TIRAS DO GARFIELD: UMA PERSPECTIVA ANALÍTICA MULTIMODAL

  • Data: 07/10/2019
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  • ...

  • SHIRLEY ALMEIDA SANTANA
  • Referenciação e construção de pontos de vista em pareceres jurídicos de sindicâncias e processos administrativos disciplinares da Unifesspa.

  • Data: 06/09/2019
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  • Esta pesquisa tem como objetivo geral investigar a construção textual-discursiva do ponto de vista (PDV) em textos da esfera jurídica, especificamente no gênero discursivo parecer, por meio de formas referenciais e do jogo de vozes que constituem o texto-discurso. No que se refere aos objetivos específicos estabelecidos para este estudo, nos propomos a analisar os tipos de pontos de vista assumidos pelo locutor-enunciador primeiro (L1/E1) ou atribuídos a enunciadores segundos (E2), considerando as formas referenciais mobilizadas; interpretar o processo de construção de pontos de vista e sua relação com as noções de responsabilidade enunciativa (RE), de posicionamento enunciativo e de posturas enunciativas e analisar como os objetos de discurso contribuem para as representações dos pontos de vista no texto-discurso do gênero parecer jurídico, tendo em vista a sua orientação argumentativa. A pesquisa em questão situa-se na linha de estudos voltados à Linguística Teórica Descritiva da Linguística Textual (LT), especificamente em sua relação com a Análise do Discurso (AD). Dessa forma, a reflexão desse estudo toma como base a contextualização da perspectiva da Análise Textual dos Discursos (ATD), a qual está fundamentada por meio de diálogos com autores da Linguística Textual como Adam (2011) e Rodrigues, Silva Neto e Passeggi (2010). Para tratar da operação discursiva da referenciação adotamos a concepção de Mondada e Dubois (1995), Marcuschi (2005), Koch (2008, 2015), Koch e Elias (2012, 2017), Cortez e Koch (2013), Cavalcante e Lima (2013) e Koch, Morato e Bentes (2017). Os estudos sobre a teoria que versa sobre a construção de PDV possuem embasamento teórico em Rabatel (2003, 2005, 2007, 2008, 2009, 2013b, 2015a, 2016). Ademais, nosso quadro teórico também alcança estudiosos da Linguística Forense como Pinto, Cabral e Rodrigues (2016) e Colares (2016), por estarmos tratando de um gênero da esfera jurídica. O corpus deste estudo é constituído de 16 (dezesseis) pareceres jurídicos oriundos de situações decorrentes de sindicâncias e processos administrativos disciplinares, instaurados no período de 2013 a 2017 na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Na pesquisa em questão constatamos, pois, que as formas referenciais contribuem para a progressão textual e testemunham o dialogismo do L1/E1 (Procurador ou Coordenador de Legislação e Orientação Normativa) com enunciadores segundos, no processo de construção de tipos de pontos de vista nas seções do plano textual, isto porque percebe-se que os referentes são marcas internas dos PDV presentes nos pareceres jurídicos. Ademais, a análise do corpus apontou que a construção dos pontos de vista pelo L1/E1
    nas seções de relatório, fundamentação e conclusão dos pareceres ocorre de modo diferente, através da responsabilidade enunciativa, que ora é assumida, ora é imputada a outros enunciadores e dos posicionamentos enunciativos (acordo, desacordo e “neutralidade”). Por fim, as posturas enunciativas de subenunciação, coenunciação e sobrenunciação também demonstraram aspectos importantes na articulação do L1/E1 em relação aos pontos de vista de outros enunciadores, levando em consideração não as partes do gênero em questão, mas o todo textual, atestando que os objetos de discurso e a movimentação das diversas vozes contribuem para a orientação argumentativa do texto-discurso jurídico.

  • NELLIHANY DOS SANTOS SOARES
  • A SIMBOLOGIA DA ÁGUA NOS CONTOS DE ILDEFONSO GUIMARÃES

  • Data: 23/05/2019
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  • Esta dissertação de mestrado, tem como objetivo analisar a simbologia da água  presente em quatro narrativas extraídas das obras Histórias sobre o vulgar e Senda Bruta, escritas pelo paraense Ildefonso Guimarães. Os contos “Um homem mau”, “Juventina 45 anos”, “O Rio” e “ Linha do Horizonte” foram selecionados como corpus de análise de pesquisa. Por se tratar de um escritor cuja obra é pouco estudada, tentou-se fazer o levantamento de toda a crítica existente em caráter regional e nacional, e que consagram a obra de Guimarães como de grande valor. Escritor reservado, humilde e autodidata, Guimarães começou a escrever ainda na juventude, e ao longo de sua vida, narrou histórias que revelam o dia a dia das pessoas, principalmente das menos privilegiadas pela sociedade, exaltando os costumes e a linguagem popular regional. Algumas de suas histórias foram retiradas da difícil realidade do povo. Romancista, contista e cronista, Ildefonso Guimarães foi um escritor veemente de sua época, chamada por ele carinhosamente de “Meu Século”. Acreditava que um escritor deve ser testemunho de sua época, valorizando a vida de sua gente e do lugar em que se vive. Foi nos jornais que divulgou uma pequena parte daquilo que escreveu, e também de onde tirou inspiração para escrever algumas histórias. Nos contos aqui analisados, percebe-se a insistência do escritor pelo uso da simbologia da água, que se fará presente através da chuva, elemento esse que influencia diretamente na vida das personagens, e que enriquece o texto devido a possibilidade de significados que carrega. O conto “Linha do Horizonte” foi analisado de forma minuciosa, por ser aquele em que a simbologia da água se manifesta ao longo de toda a narrativa, permitindo assim que a denominação “aquonarrativa” seja por nós utilizada com precisão. Para a concretização desse estudo, laçamos mão de um referencial teórico que conta com os seguintes autores: Jung (1912;1964;1984), Eliade (1979), Durand (2012), Bogéa ( 1990;2004), Chevalier; Gheerbrant (2003) e Bachelard (1990;1997).

  • MAYARA DA CONCEIÇÃO GONÇALVES CARVALHO
  • O GÊNERO TEXTUAL DIGITAL CHAT NO LIVRO DIDÁTICO: UMA ANÁLISE

    SOCIOINTERACIONISTA DAS ATIVIDADES DE LEITURA E ESCRITA

  • Data: 23/05/2019
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  • Atualmente, vivemos imersos em ambientes interativos, pois as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC’s) facilitam a interação humana. Deste modo, questionar sobre a leitura e escrita relacionadas aos gêneros textuais digitais não é uma questão de modismo, mas sim, uma necessidade de um fato contemporâneo da sociedade, pois se trata de um olhar à prática pedagógica do ensino de Língua Portuguesa. Neste estudo, fazemos uma análise da abordagem do gênero chat no livro didático Tecendo Linguagens - Língua Portuguesa na perspectiva do sociointeracionismo discursivo de Bronckart. Assim objetivamos de analisar as atividades de leitura e escrita com o foco no gênero chat apresentado em um livro didático. A análise se formou a partir de um ato interrogativo sobre em que medida as atividades de leitura e escrita desenvolvidas a partir do gênero chat apresentado no referido livro didático estabelece relação com a abordagem sociointeracionista de ensino de gêneros discursivos? A presente pesquisa foi realizada à luz dos estudos de gêneros desenvolvidos por Bakhtin (1992), noção de gêneros textuais digitais elencadas por Marcuschi e Xavier (2010), do interacionismo sociodiscursivo de Bronckart (1999), sequências didáticas centradas em gêneros de Dolz e Schneuwly (2009), entre outros pesquisadores que colaboram com o estudo em questão.

  • UERBET AURELIO DE SOUSA
  • Violência e opressão nos contos “Estória do Ladrão e do Papagaio” da obra Luuanda e “Caligrafia de Deus” da obra A Caligrafia de Deus de Márcio Souza.

  • Data: 16/05/2019
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  • Esta dissertação investiga a opressão e a violência cometidas contra os menos favorecidos nos contos, “Estória do ladrão e do papagaio” que se encontra na obra Luuanda (2006) do escritor Angolano Luandino Vieira, e do conto A Caligrafia de Deus do escritor manauara Marcio Souza (2007). A escolha das duas obras se deu pela semelhança no tratamento violento pelo qual as personagens passam. A relação entre Brasil e Angola é próxima por ter um colonizador comum e mesa herança colonial violenta. Os referidos autores escreveram textos (contos e romances), que não reproduziam a ordem vigente, mas que indo na contramão do poder instituído decidiram retratar a realidade dos menos favorecidos para mostrar os problemas e as dificuldades que os mesmos enfrentam em seu dia a dia. Além disso, não coadunam com a história oficial que na maior parte das vezes excluiu aqueles que não tinham o poder de comando em casa sociedade. Trabalharemos com um autor amazônico e angolano por terem escrito textos considerados literatura de resistência, e ao trazer essas obras para o contexto universitário é uma forma de valorizar esses autores que, na maioria das vezes, tem muito a dizer, mas não são estudados. Faremos uma análise das figuras femininas e masculinas presentes nas duas obras, também, e o papel que desempenham em cada uma delas. O estudo entre os dois escritores é inédito e a escolha se dá pelo papel político, engajado que os autores demonstram no tratamento temático e estético das obras. Para efetivação dessa discussão, há necessidade de um amparo teórico especifico, dentre eles: Schøllhammer (2013), Bosi (2002), Martim (2008), Todorov (2002), Lorenz (2012) e Benjamin (1985).

  • ANA CLEIDE DE JESUS CARVALHO
  • LETRAMENTO MULTIMODAL: O GÊNERO PUBLICITÁRIO NO LIVRO DIDÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA DO ENSINO MÉDIO

  • Data: 30/04/2019
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  • É uma pesquisa que tem como eixo central a leitura em gêneros publicitários no livro didático de Língua Portuguesa na perspectiva Multimodal. Objetiva-se examinar o livro didático de português do ensino médio a partir da aplicação de leitura por meio do encaminhamento das questões de compreensão nos gêneros propaganda e publicidade, a fim de estabelecer relações com o letramento multimodal. Tem como base teórica a Semiótica Social por meio da Abordagem Multimodal e da Gramática do Design Visual. Os pressupostos teórico-metodológicos propostos estão na perspectiva de Kress (1997, 2003, 2010); Kress e van Leeuwen (2006); Van Leeuwen (2006). O corpus da pesquisa é composto por anúncios publicitários e propagandas vinculados na edição do manual didático, nos quais se analisam questões de compreensão, existentes na obra intitulada “Ser protagonista: língua portuguesa 3º ano – ensino médio, vol. 3”. Nesse sentido, a pesquisa ressalta o letramento multimodal, nesses textos, sobretudo, os letramentos: visual, verbal, tipográfico, layout e cromático predominantes nesses gêneros. Aponta-se para uma preocupação fundamental: apesar de o livro didático trazer para o contexto da leitura a multimodalidade, observa-se que os resultados demonstram que o manual didático não explora a multimodalidade textual e que desconsidera a diversidade dos letramentos existentes na obra.

  • SAMARA SOUZA DA SILVA
  • SUBLIME, UNCANNY E GÓTICO FEMININO: UM ESTUDO DAS PERSONAGENS FEMININAS EM JANE EYRE, DE CHARLOTTE BRONTË, E KIMI NI TODOKE, DE KARUHO SHIINA

  • Data: 24/04/2019
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  • Esta dissertação investiga por meio de um olhar acerca da perversidade (?) da figura feminina no romance vitoriano Jane Eyre (2015), de Charlote Brontë, e no mangá Kimi ni todoke (2009), de Karuho Shiina. A pesquisa busca analisar, mais especificamente, como é formado o processo de construção dos temas: Sublime, Uncanny e gótico feminino, em relação às personagens principais femininas. Nas obras em questão, as personagens femininas passam por dificuldades de interação para com a sociedade em que estão inseridas, onde a comunicação é uma das principais formas de envolvimento humano, Jane e Sawako lidam com essas situações conflituosas diariamente. O cotidiano dessas personagens é atravessado por temas obscuros, em que as personagens principais são tidas como sombrias e possuidoras de grande poder maléfico, e este espaço social as fazem acreditar que suas perversidades afetam a todos que estão ao redor, e que tais situações acontecem com anuência por parte das personagens. Os resultados obtidos nessa pesquisa permitem perceber como a literatura se engaja diretamente com os estudos do gótico, e em outras áreas de conhecimento, tanto romance quanto mangá, através das teorias, análises, e compreensão de como os temas Uncanny, sublime e políticas de gênero são apresentados nas obras em questão. Para efetivação dessa discussão, há necessidade de um amparo teórico específico, dentre eles: Vasconcelos (2007), Armstrong (2009), Moran (2013), Sá (2010), Luyten (2012), Wood (2010), Sato (2005), Gombrich (2013), Hauser (2003), Heiland (2004), Coale (2007), Burke (1993), Kristeva (1982), Eco (2007), Freud (2007) e Moers (1985).

  • AIRTON SOUZA DE OLIVEIRA
  • Rasuras no “chão dos lobos” – a poética de fronteira de Charles Trocate

     

  • Data: 12/04/2019
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  • Este trabalho tem como finalidade repensar e problematizar, criticamente, a homogeneidade e institucionalização do conceito de literatura e seu suposto papel hegemônico. Além disso, busca contribuir com imprescindíveis reflexões a respeito do conceito de poesia, a partir da concepção de linguagem como plurissignificativa e, que por conta disso, coopera para ampliar a elaboração crítica sobre as poéticas. As obras analisadas - Poemas de Barricadas; Ato Primavera; Bernardo – meus poemas de combate e 1993 – compõem parte do corpus da pesquisa e representam, até o presente momento, toda a expressão poética do poeta amazônida Charles Trocate, publicadas entre os anos de 2002 a 2015. Partindo dos pressupostos de que a poética de Trocate possui atuações políticas e pedagógicas sobre a forma de poder que atuam na Amazônia, no intuito de interrogar o processo de espoliação da paisagem e dos sujeitos amazônidas e, de que as realidades condicionam, em parte, a estética trocatiana é que se busca compreender os processos de mobilidade, heterogeneidade e de alteridade presentes tanto na conformação estética quanto de conteúdo dentro da representação dessa poética fronteiriça.  Busca-se com isso construir epistemologicamente alternativas contestadoras capazes de evidenciar as poéticas emergentes, produzidas em regiões de fronteira. Dentre tais perspectivas críticas destacam-se teorias pós-coloniais e os pensamentos críticos latino-americanos, capazes de desestabilizar e rasurar noções homogêneas e eurocêntricas de literatura e de cultura. Assim, nas análises empreendidas ao longo dessa pesquisa delineia-se a existência de múltiplas fronteiras materiais e imateriais na expressão poética de Trocate. A proposta tem um aporte bastante amplo que vai desde autores como Romi K, Bhabha, Ana Pizarro, Zilá Bernd, Alfredo Bosi, Antonio Candido, Roland Barthes, entre outros, pela importância que possuem ao desenvolver posições críticas que, interrogam bases críticas e epistemológicas que podem contribuir par desestabilização de pensamentos hegemônicos.

     

  • GABRIELA SOUSA GOMES
  • DISCURSOS DE SUBJETIVAÇÃO DO PROFESSOR: TÉCNICAS DE BIOPOLÍTICAS 

  • Data: 11/03/2019
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  • O trabalho tem como objetivo analisar como o discurso da mídia sobre o professor se insere num jogo de poder em que a identidade desse profissional é configurada e reconfigurada de acordo com regras históricas que oferecem a “chave” para a produção de subjetividades. O corpus da pesquisa é composto de propagandas do Ministério da Educação (MEC) e é complementado com publicidades de editoras também voltadas para a figura do professor, em forte diálogo com as propagandas do MEC, evidenciando como Estado e Mercado se unem na governamentalidade dos indivíduos, tal como discutiremos ao longo do trabalho. As propagandas e publicidades foram veiculadas na revista Nova Escola, no período de setembro de 1998 a julho de 2017. Trata-se de uma pesquisa que, ancorada em uma abordagem teórico-metodológica da Análise de Discurso de vertente francesa, fundamentada, particularmente, nos estudos foucaultianos, concebe as identidades produzidas na sociedade contemporânea a partir de “regimes de verdades” orientados por uma política de governamentalidade. Em nossas análises buscamos delinear de que modo o Estado (MEC) produz discursos sobre os professores, a partir de uma lógica voltada para a homogeneização de identidades docentes, tendo sempre em vista a classificação, hierarquização e padronização de um tipo de professor. As análises evidenciam os seguintes funcionamentos discursivos acerca da subjetividade do professor: i) O professor anunciado como livre para fazer escolhas; ii) O professor conduzido por modelos estabelecidos; iii) O professor de resultados; iv) O professor polivalente; v) Estado e Mercado: duas faces do biopoder atuando na subjetivação do professor

  • GABRIELA SOUSA GOMES
  • DISCURSOS DE SUBJETIVAÇÃO DO PROFESSOR: TÉCNICAS DE BIOPOLÍTICAS 

  • Data: 11/03/2019
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  • O trabalho tem como objetivo analisar como o discurso da mídia sobre o professor se insere num jogo de poder em que a identidade desse profissional é configurada e reconfigurada de acordo com regras históricas que oferecem a “chave” para a produção de subjetividades. O corpus da pesquisa é composto de propagandas do Ministério da Educação (MEC) e é complementado com publicidades de editoras também voltadas para a figura do professor, em forte diálogo com as propagandas do MEC, evidenciando como Estado e Mercado se unem na governamentalidade dos indivíduos, tal como discutiremos ao longo do trabalho. As propagandas e publicidades foram veiculadas na revista Nova Escola, no período de setembro de 1998 a julho de 2017. Trata-se de uma pesquisa que, ancorada em uma abordagem teórico-metodológica da Análise de Discurso de vertente francesa, fundamentada, particularmente, nos estudos foucaultianos, concebe as identidades produzidas na sociedade contemporânea a partir de “regimes de verdades” orientados por uma política de governamentalidade. Em nossas análises buscamos delinear de que modo o Estado (MEC) produz discursos sobre os professores, a partir de uma lógica voltada para a homogeneização de identidades docentes, tendo sempre em vista a classificação, hierarquização e padronização de um tipo de professor. As análises evidenciam os seguintes funcionamentos discursivos acerca da subjetividade do professor: i) O professor anunciado como livre para fazer escolhas; ii) O professor conduzido por modelos estabelecidos; iii) O professor de resultados; iv) O professor polivalente; v) Estado e Mercado: duas faces do biopoder atuando na subjetivação do professor

2018
Descrição
  • CÁTIA CANÊDO
  • 'O TRUQUE REPUBLICANO E A POLÍTICA DA ILUSÃO: REFLEXÃO SOBRE A ESSÊNCIA E APARÊNCIA NOS CONTOS DE LIMA BARRETO"

  • Data: 19/12/2018
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  • Esta dissertação de mestrado, tem como objetivo analisar oito narrativas extraídas da obra Contos completos de Lima Barreto, organizada por Lilia Schwarcz, levando-se em consideração o olhar crítico do autor sobre a relação conflitante entre essência e aparência na sociedade brasileira de seu tempo.Escritor mulato, pobre e suburbano, Barreto passou por diversas dificuldades em sua vida, vivenciando muitas formas de discriminação e de exclusão; tornou-se testemunha ocular da história e um dos maiores intérpretes da Primeira República brasileira do início do século XX. Romancista, contista e cronista, Lima Barreto acreditava que através da literatura os homens de letras poderiam intervir de alguma forma na sociedade, mudando a história do mundo. Nos contos aqui analisados faz-se possível perceber como o autor trata das questões de uma “modernidade” brasileira construída através de um jogo político de farsa e maquiagem que vislumbrava os padrões de vida europeia naquele Rio de Janeiro pós Reforma Pereira Passos, capital do país à época. Em relação à construção dessa modernidade, a posição de Barreto foi clara e combativa quanto à forma como ocorreu esse processo que, a seu ver, não teria nada de democrático; para ele, o desenvolvimento pregado pelo governo não passava de uma modernização figurada. Para a concretização desse estudo, lançamos mão de um suporte teórico que conta com os seguintes autores: Barbosa (2003), Bourdieu (2011), Carmelholo (2011), Carvalho (2004), Deleuze (2002), Freyre (1980), Gramsci (1982), Loyolla (2014), Machado (2002), Marx (2002), Oakley (2011), Ribeiro (1995), Said (2005), Schwarcz (1980) e Sevcenko (1983).

  • CÁTIA CANÊDO
  • O TRUQUE REPUBLICANO E A POLÍTICA DA ILUSÃO: REFLEXÃO SOBRE A ESSÊNCIA E APARÊNCIA NOS CONTOS DE LIMA BARRETO

  • Data: 19/12/2018
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  • Esta dissertação de mestrado, tem como objetivo analisar oito narrativas extraídas da obra Contos completos de Lima Barreto, organizada por Lilia Schwarcz, levando-se em consideração o olhar crítico do autor sobre a relação conflitante entre essência e aparência na sociedade brasileira de seu tempo.Escritor mulato, pobre e suburbano, Barreto passou por diversas dificuldades em sua vida, vivenciando muitas formas de discriminação e de exclusão; tornou-se testemunha ocular da história e um dos maiores intérpretes da Primeira República brasileira do início do século XX. Romancista, contista e cronista, Lima Barreto acreditava que através da literatura os homens de letras poderiam intervir de alguma forma na sociedade, mudando a história do mundo. Nos contos aqui analisados faz-se possível perceber como o autor trata das questões de uma “modernidade” brasileira construída através de um jogo político de farsa e maquiagem que vislumbrava os padrões de vida europeia naquele Rio de Janeiro pós Reforma Pereira Passos, capital do país à época. Em relação à construção dessa modernidade, a posição de Barreto foi clara e combativa quanto à forma como ocorreu esse processo que, a seu ver, não teria nada de democrático; para ele, o desenvolvimento pregado pelo governo não passava de uma modernização figurada. Para a concretização desse estudo, lançamos mão de um suporte teórico que conta com os seguintes autores: Barbosa (2003), Bourdieu (2011), Carmelholo (2011), Carvalho (2004), Deleuze (2002), Freyre (1980), Gramsci (1982), Loyolla (2014), Machado (2002), Marx (2002), Oakley (2011), Ribeiro (1995), Said (2005), Schwarcz (1980) e Sevcenko (1983).

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